Enquanto eu fazia os
contatos por telefone, as funcionárias do Lar da Criança levantavam os dados
para fornecer para as madrinhas, ou seja, o tamanho da roupa e o número do
calçado. No início da campanha, o mais importante era vestir a criança para a
missa de Natal. Era um objetivo totalmente voltado para a parte religiosa. Como
a maioria das madrinhas eram professoras e também tinham filhos pequenos,
dávamos a ela a oportunidade de colocar na mesma caixa, roupas usadas em bom
estado de uso, de seus filhos, assim como calçados. Eram tantas crianças, que
conseguíamos unir o útil ao agradável. Foi assim por algum tempo.
Além de fazer o
contato telefônico, com posse dos dados fornecidos pelo Lar, com a ajuda do
mimeógrafo, eu fazia as cartinhas e entregava pessoalmente nas casas. Esse
trabalho era feito à noite, com a ajuda de meu marido, sempre com meus filhos
junto. No começo tinha apenas a Cássia. Depois veio o Evandro, o Fernando e por
último a Viviane. Os quatro filhos acompanharam todo o processo ao longo dos
anos. Minha maior alegria foi quando, já crescidos e empregados, também
adotaram Afilhados de Natal.
Enquanto eu fazia a
minha parte, as Irmãs do Lar preparavam com as crianças a festa para receber o
tão esperado presente. Eram números lindos, preparados com muito amor. Eram
cantos alusivos ao Natal, encenações, homenagens. O momento mais alto era a
encenação do Nascimento de Jesus. Geralmente, a festa era marcada bem próxima
do Natal. Todas as famílias das crianças compareciam. Era um momento muito
familiar, muito forte. A emoção tomava conta de todos. Nunca conseguimos a presença das madrinhas
para fazer a entrega pessoalmente. Muitas preferiam o anonimato, outras, devido
à compromissos, se esquivavam, mas as caixas que chegavam demonstravam com
quanto carinho haviam sido feitas. Os olhinhos faiscavam intensamente durante
toda a festa, ansiosos pelo momento da entrega. A curiosidade era tanta, que ao
recebê-las, abriam ali mesmo. Ficávamos muito felizes, por vê-las tão felizes.
Nunca deixei de comparecer. Tinha o dever moral de representar minhas queridas
Madrinhas de Natal. Como havia sempre um cartão da madrinha para a criança,
muitas conseguiam descobrir de quem haviam recebido o presente. E assim foi por
muitos anos.
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