quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A FESTA DE NATAL IDEALIZADA PELA IRMÃ MARIA ANTONIETA - TERCEIRA PARTE

Enquanto eu fazia os contatos por telefone, as funcionárias do Lar da Criança levantavam os dados para fornecer para as madrinhas, ou seja, o tamanho da roupa e o número do calçado. No início da campanha, o mais importante era vestir a criança para a missa de Natal. Era um objetivo totalmente voltado para a parte religiosa. Como a maioria das madrinhas eram professoras e também tinham filhos pequenos, dávamos a ela a oportunidade de colocar na mesma caixa, roupas usadas em bom estado de uso, de seus filhos, assim como calçados. Eram tantas crianças, que conseguíamos unir o útil ao agradável. Foi assim por algum tempo.
Além de fazer o contato telefônico, com posse dos dados fornecidos pelo Lar, com a ajuda do mimeógrafo, eu fazia as cartinhas e entregava pessoalmente nas casas. Esse trabalho era feito à noite, com a ajuda de meu marido, sempre com meus filhos junto. No começo tinha apenas a Cássia. Depois veio o Evandro, o Fernando e por último a Viviane. Os quatro filhos acompanharam todo o processo ao longo dos anos. Minha maior alegria foi quando, já crescidos e empregados, também adotaram Afilhados de Natal.
Enquanto eu fazia a minha parte, as Irmãs do Lar preparavam com as crianças a festa para receber o tão esperado presente. Eram números lindos, preparados com muito amor. Eram cantos alusivos ao Natal, encenações, homenagens. O momento mais alto era a encenação do Nascimento de Jesus. Geralmente, a festa era marcada bem próxima do Natal. Todas as famílias das crianças compareciam. Era um momento muito familiar, muito forte. A emoção tomava conta de todos.  Nunca conseguimos a presença das madrinhas para fazer a entrega pessoalmente. Muitas preferiam o anonimato, outras, devido à compromissos, se esquivavam, mas as caixas que chegavam demonstravam com quanto carinho haviam sido feitas. Os olhinhos faiscavam intensamente durante toda a festa, ansiosos pelo momento da entrega. A curiosidade era tanta, que ao recebê-las, abriam ali mesmo. Ficávamos muito felizes, por vê-las tão felizes. Nunca deixei de comparecer. Tinha o dever moral de representar minhas queridas Madrinhas de Natal. Como havia sempre um cartão da madrinha para a criança, muitas conseguiam descobrir de quem haviam recebido o presente. E assim foi por muitos anos.

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