segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

ALÔ, QUEM FALA?

Há poucos dias vi na televisão uma reportagem sobre os orelhões. Na cidade de São Paulo já foram reduzidos praticamente à metade. Perderam a sua função, além da sua manutenção ser muito cara. Em curtíssimo espaço de tempo ficaram obsoletos. Nem os vândalos perdem mais tempo destruindo-os. Lembro-me também de ter lido em algum lugar, quando a comunicação ainda era por telefone, que ia chegar um dia que, além de ouvir a voz, veríamos a imagem da pessoa com quem estaríamos conversando. Tudo aconteceu tão depressa, que o telefone, praticamente foi substituído pelo celular. Hoje, se temos histórias para contar, é porque as coisas não aconteceram com a mesma velocidade atual. Não sei como será a memória de nossas crianças no futuro, tal a velocidade dos acontecimentos. Será que continuarão a valorizar o passado? Será que recordar será um ato prazeroso? Vamos deixar de filosofar e vamos curtir o nosso querido telefone.
Quando eu era criança, a única casa da família que tinha um telefone era a da minha tia Nega. Era uma caixa presa na parede, tinha um bocal fixo, mas a parte de se colocar no ouvido ficava pendurada numa espécie de gancho. A ligação era feita pela telefonista. Para chamar a telefonista, tinha uma pequena manivela. Ao girar, ela produzia um som de campainha e caía no posto telefônico. Gentilmente, a telefonista atendia e fazia a ligação. Não havia discagem direta à distância. Era preciso ir até o posto telefônico, levar o número e pagar para a telefonista fazer a ligação. Minha avó tinha uma prima que morava em São Paulo. Quando queria conversar com ela, procedia assim. Eu ia sempre junto. Havia uma cabine para conversar. Não podia falar muito. A ligação interurbana era muito cara.
No museu, foram modelos expostos como esses, que me despertaram a atenção. Chamei minha netinha de seis anos e comecei a falar sobre o telefone do meu tempo de criança. Não notei interesse nenhum. Talvez o modelo mais recente de celular fizesse mais sucesso. Só não saí chateada porque ela se interessou por Santos Dumont e a mãe fotografou tudo que pôde para ela levar para a professora. Menos mal, fiquei feliz pela professora que conseguiu despertar nela a admiração pelo Pai da Aviação. Será uma futura Comissária de Bordo?

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