Os anos foram
passando, a campanha de Natal foi ganhando novas formas. O objetivo era tão
nobre, e a generosidade das madrinhas tão grande, que oferecer para as crianças
apenas a roupinha nova de Natal era pouco. Com isso, novos itens foram
acrescentados. Por que não colocar um brinquedinho, uns docinhos? Que tal um
boné para os meninos, uma pulseirinha para as meninas? E assim a caixa começou a
crescer. Era impossível conter a generosidade das madrinhas. É claro que, a
partir desse momento, os problemas começaram a surgir. As caixas, ou os pacotes,
começaram a ficar de tamanhos diferentes, uns maiores, outros menores, e houve a inevitável comparação.
Passamos a conscientizar os pais da necessidade de só abrir as caixas ao chegar
em casa. Era um pequeno sacrifício que estávamos oferecendo a Jesus. E assim
foi. Como padronizar um presente oferecido com tanto carinho para uma criança?
Cada um tem seu jeito de expressar a sua generosidade. O gesto para mim sempre
foi mais importante do que o conteúdo da caixa. Quem põe altas expectativas nas
cabecinhas das crianças são os adultos. Quem contamina a pureza delas são os
próprios pais, que colocam o valor material acima de tudo. Este fato fez com
que buscássemos alternativas para que, pelo menos exteriormente, as caixas
fossem todas iguais, diminuindo o impacto da comparação pelo tamanho. Quem nos
socorreu nesta tentativa por uns dois anos, foi a Indústria Orsi. As madrinhas
não gostaram da iniciativa e voltamos a permitir que cada uma colocasse o
presente da forma que lhe aprouvesse. Por que a ideia não deu certo? Porque
estávamos interferindo na liberdade da madrinha externar a delicadeza de seu
gesto, na confecção do pacote. Realmente, havia embalagens que eram verdadeiros
presentes. Era uma festa para os olhos!
Nos primeiros anos da
campanha, eu recebia as caixas em minha casa. Só levava para o Lar no dia da
festa. Eu vibrava com a chegada de cada uma. Com isso, tinha oportunidade de
agradecer pessoalmente cada madrinha e reforçar o convite para a festa de
entrega. Poucas madrinhas passaram pela experiência de presenciar a entrega. Quem
foi alguma vez, se emocionou muito.
Meus filhos foram se
envolvendo de tal maneira com o meu trabalho, que acabaram me dando trabalho.
Eram muito novos para entender que havia caixas para tantas crianças, e não
havia para eles. Para contornar a situação, eu tive que fazer caixas para eles
também, até entenderem o processo. Claro que a madrinha era sempre eu.
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