Com o passar dos anos,
minhas madrinhas de natal foram crescendo profissionalmente. Quem tinha apenas
o Curso Normal, foi buscar formação superior. Os concursos públicos foram
acontecendo. A Legislação da Educação trouxe novas exigências com relação à
educação infantil. As creches foram se tornando uma realidade para atender os
filhos de mães que trabalham. Grande parte de nossas professoras madrinhas,
desejosas de fazer carreira, prestaram concursos públicos e foram trabalhar nas
escolas de educação infantil como Diretoras e, também, responsáveis por
creches. Já em seus novos cargos, lançaram o mesmo movimento nos seus
estabelecimentos de ensino. A partir de então, praticamente todas as crianças,
independente de sua condição social, tinham garantida a sua caixa de natal. No
início foi tudo bem. Mas os mesmos problemas que enfrentamos no Lar da Criança,
agora se repetiam nas creches, sem falar que para não dizer não, muitas madrinhas
de natal assumiam mais que um afilhado. O gesto de generosidade, antes feito
com tanto amor e desapego, começou a pesar. Os problemas foram se agravando e,
em pouco tempo, o movimento de madrinhas de natal nas creches chegou ao fim. O
único que sobrevive até hoje é o do LAR NOSSA SENHORA DOS DESAMPARADOS, que tem à frente
minha grande amiga e companheira de jornada MARIA ÂNGELA TRECENTI CAPOANI.
Desde que o movimento nasceu no Lar da Criança, sempre assumiu uma criança para
ter como afilhada de Natal. Foi a Ângela que teve a iniciativa de introduzi-lo
no asilo. Desde então, assumi uma afilhadinha de Natal, hoje com 102 anos.
Quando aceitei ser sua madrinha, disse que seria madrinha dela enquanto ela
vivesse. Ela se chama Dona Sebastiana. Deus lhe deu a graça de uma vida longa.
Embora não esteja mais lúcida, foi sempre muito feliz, vaidosa, gostava de se
enfeitar, de se arrumar, de se perfumar. Hoje está numa cadeira de rodas e
recebe os cuidados das queridas irmãzinhas do asilo. É uma chama que permanece
acesa nos seus 102 anos. Que Deus a abençoe sempre!
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