sábado, 14 de fevereiro de 2015

A VOLTA DO PROFESSOR PARTICULAR

Em outras páginas publicadas, tive a oportunidade de citar duas professoras que se tornaram famosas pelo trabalho em sala de aula e fora dela, dando aulas particulares. Trata-se da Bernadete Carrit e da Denise Orsi. Bernadete, ensinando Matemática e, Denise, Português. Nas décadas de 60, 70, 80, o aluno não era aprovado para a série seguinte se não tivesse dominado todo o conteúdo da que estava cursando. O jeito eram as aulas particulares, dadas em casa e, claro, com um custo extra para os pais que não queriam ver seus filhos reprovados. Quem precisou desse reforço e teve como pagar, saiu lucrando. E assim, por muito tempo, o reforço dado pelo professor particular garantiu a qualidade do ensino. Os anos foram passando, as reformas de ensino foram acontecendo, a escola foi se abrindo para todos, colocou-se a quantidade em primeiro lugar e a qualidade foi caindo. Isto sem falar na desvalorização do profissional da educação. Quer ganhar mais? Trabalhe dobrado. Foi quando surgiu a opção da jornada integral. Os professores que estavam para se aposentar não tinham mais tempo para dobrar a jornada, a não ser que houvesse vagas e estivessem dispostos a trabalhar por mais cinco anos. Era o tempo mínimo na nova jornada para garantir uma aposentadoria com salário integral. Nessa época, eu ainda estava trabalhando no Malatrazi. Fiquei muito revoltada com a proposta indecente do nosso governador Paulo Maluf. Aliás, duas pérolas atribuídas a ele: “O professor não ganha mal, ele é mal casado” e “Quer ganhar mais, trabalhe dobrado”. Relutei muito, mas quando faltavam cinco anos para me aposentar, ampliei a minha jornada. Nunca nós professores fomos ouvidos com relação a assuntos importantes. As decisões eram tomadas em gabinete, sempre de cima para baixo. Só depois vinham as avaliações e os estudos das medidas tomadas. E assim foi e continua sendo a Educação no Brasil. Hoje, Diretores de Escola com  seus Coordenadores Pedagógicos procuram, nas Horas de Trabalho Pedagógico, resgatar a qualidade do ensino, um trabalho gigantesco que raramente tem a colaboração da família. A jornada de trabalho já mudou tanto, que não sei mais o que prevalece. É urgente pensar na  formação das novas gerações de professores. Os professores particulares estão de volta. O Ensino Fundamental com a duração de nove anos, alfabetizando a criança com seis anos, é mais uma aberração. Dá para contar nos dedos quantas crianças conseguem isso, sem falar no desespero dos pais, que, desconhecendo a teoria do construtivismo, bombardeiam os professores de seus filhos fazendo comparações com os coleguinhas de classe e gerando problemas ainda maiores para a criança. Respeitar o tempo que cada criança leva para ser alfabetizada é primordial. Por que, então, se pretende antecipar em um ano o processo? Conclusão, as velhas cartilhas voltam a fazer sucesso por trás do pano.  Por que não admitir que elas tiveram o seu valor e têm ainda? Deixar a criança construir o seu próprio conhecimento é válido, mas no tempo certo. Estressá-las, querendo delas mais do que podem dar, é contribuir para tirar delas o gosto pelo estudo. Encerro esta página dizendo que ainda acredito no Professor. Há excelentes escolas, com excelentes educadores. Está em suas mãos reverter esta situação. Quero acreditar nisto, pelos meus netos, por essa geração à qual estamos deixando como herança, não um país gigante, mas um país que tem que se tornar um gigante.

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