Zizi, quem não a conheceu? Esposa de Seu Fortes, da Coletoria Federal.
De semblante tranquilo, exalava calma, paz por onde passava. Dona de uma
sabedoria profunda, dessas pessoas que sabiam o que estavam falando, até nos assustava
às vezes. Quando falava, seus gestos se harmonizavam de uma tal maneira, que
era impossível não ficar enlevado com o assunto. Havia algo de misterioso nas
suas colocações. Não era de jogar conversa fora. Não era de fofocar. Quando se
aproximava, queria saber da família, dos filhos, e pode ter certeza,
conselheira de mão cheia. Mas volto a repetir, era enigmática, misteriosa,
leitora devoradora de boas obras. De certa feita, Zizi me confidenciou: “não há
prazer maior que uma chávena de chá no final da tarde e um bom livro como
companhia”. Zizi era cheia de cuidados com sua saúde. Dizia sempre: não espero
meu corpo dar sinais de algumas necessidades, eu estou sempre me oferecendo
para ajudá-lo a manter suas funções e assim garantir a minha saúde. Alimentação
saudável, muito líquido, rins funcionando bem, é assim que me preservo. Hoje,
refletindo sobre nossas conversas, reconheço quantos ensinamentos ela me
passou. Interessante notar que ela permaneceu em minha lembrança, mais como
amiga do que professora. Zizi foi uma das sete que foram remanejadas para a recém-criada
escola do Parque Residencial São José, no ano de 1.977. Ela não ficou tão
abalada quanto eu. Na época, Seu Fortes tinha um carrinho branco muito bem
conservado, antigo, carrinho de colecionador, que Zizi dirigia com maestria.
Muitas vezes peguei carona com ela. Ninguém, no comando daquele carro, deixaria
uma imagem tão elegante quanto ela deixou. Zizi não morava longe da escola, mas
era autossuficiente. Lembrei-me agora da colega Neusa Fernandes, de Borebi, que
sem acanhamento nenhum, ia de bicicleta para a escola. Hoje seria inviável, por
causa do trânsito intenso nas ruas para chegar à escola. Pela distância entre a
minha casa e a nova escola, tive que aprender a dirigir, porém, a carteira de
habilitação se aposentou bem antes que eu. Nunca peguei na direção para ir à
escola. Era sempre levada pelo meu marido. Que saudades da Zizi. Depois que se mudou
de Lençóis, nunca mais a vi. Fui professora da Cristina, sua filha mais velha,
no Magistério. Cristina e Euricléia, amigas inseparáveis. Carmem, a filha mais
nova, mora atualmente em Bauru. Minha gratidão à Zizi pelos bons momentos que
compartilhamos, ora na vida profissional, ora na vida particular. Que Deus a
tenha, amiga!
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