quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

38 ANOS PASSADOS

Ainda guardo o meu prontuário, devolvido, acredito eu, depois de minha aposentadoria, na mudança da Delegacia de Ensino de Lençóis para Bauru. Revirando a papelada nele contida, eis que me deparo com um ofício datado de 09 de fevereiro de 1977, cujo assunto me soou estranho. Tratava-se de comunicar o meu remanejamento da E.E.P.G. Dr. Paulo Zillo para a E.E.P.G. do Parque Residencial São José. REMANEJAMENTO? Sempre soube que foi uma remoção compulsória. Pior ainda foi o que li em seguida: ”considerando que conforme sessão realizada no dia oito próximo passado, não houve manifestação de nenhum dos professores das unidades citadas em ser remanejados para a escola recém-criada, fica Vossa Senhoria notificada que deverá, a partir de amanhã dia 10/2, assumir o exercício na escola criada, participando do Plano que será levado a efeito nas dependências da E.E.P.G. Dr. Paulo Zillo, às oito horas. O papel aceita tudo. O ofício vem assinado pelo Delegado de Ensino, que na época era o Seu Sílvio da Cunha. Era endereçado a mim. Com certeza as outras seis colegas também devem ter em seus prontuários a mesma correspondência. No último parágrafo, o Delegado de Ensino justifica porque fomos as escolhidas: ”em virtude de nossa classificação nos últimos lugares”. Últimos lugares, Seu Sílvio? Considerando o que? Esqueceu-se de dizer, “considerando o tempo de magistério”. Mesmo tendo na época 12 anos de magistério, mesmo sendo uma das mais novas professoras, eu amava de paixão a escola onde ingressei por Concurso Público e onde reencontrei como Diretora a minha professora do terceiro ano do Grupo Escolar, Dona Maria da Conceição Viegas Garbino. O senhor não sabe o que senti ao chegar na escola, super motivada para inciar o novo ano letivo e ser bombardeada com uma notícia dessas. Até a Diretora ficou pasmada. De sua boca, Seu Sílvio, saíram palavras como profecias que nunca se concretizaram: ”vai chegar um dia em que professor nenhum vai se sentir pertencente a uma escola só, mas de todas as escolas”. Naquele momento não entendi, chorei muito, pois eu era Paulo Zillo, e tive que me conformar com a nova situação. A minha vocação para o magistério não foi abalada diante desses fatos. Ao contrário, fui muito feliz em todas as escolas por onde passei. Mais feliz ainda por ter colaborado na Comemoração do Centenário do Esperança de Oliveira, a escola que foi o meu berço. Não me sinto professora de todas as escolas, como o Seu Sílvio disse, mas das escolas onde atuei. Agradeço a Deus o dom de ensinar.  Aos colegas, diretores, pais, alunos, minha eterna gratidão. Considero-os minha segunda família! Neste ano estamos comemorando 50 anos de existência da escola Dr. Paulo Zillo.

Vamos comemorar!

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