Ainda guardo o meu prontuário, devolvido, acredito eu, depois de minha aposentadoria,
na mudança da Delegacia de Ensino de Lençóis para Bauru. Revirando a papelada
nele contida, eis que me deparo com um ofício datado de 09 de fevereiro de
1977, cujo assunto me soou estranho. Tratava-se de comunicar o meu
remanejamento da E.E.P.G. Dr. Paulo Zillo para a E.E.P.G. do Parque Residencial
São José. REMANEJAMENTO? Sempre soube que foi uma remoção compulsória. Pior
ainda foi o que li em seguida: ”considerando que conforme sessão realizada no
dia oito próximo passado, não houve manifestação de nenhum dos professores das
unidades citadas em ser remanejados para a escola recém-criada, fica Vossa
Senhoria notificada que deverá, a partir de amanhã dia 10/2, assumir o
exercício na escola criada, participando do Plano que será levado a efeito nas
dependências da E.E.P.G. Dr. Paulo Zillo, às oito horas. O papel aceita tudo. O
ofício vem assinado pelo Delegado de Ensino, que na época era o Seu Sílvio da
Cunha. Era endereçado a mim. Com certeza as outras seis colegas também devem
ter em seus prontuários a mesma correspondência. No último parágrafo, o
Delegado de Ensino justifica porque fomos as escolhidas: ”em virtude de nossa
classificação nos últimos lugares”. Últimos lugares, Seu Sílvio? Considerando o
que? Esqueceu-se de dizer, “considerando o tempo de magistério”. Mesmo tendo na
época 12 anos de magistério, mesmo sendo uma das mais novas professoras, eu
amava de paixão a escola onde ingressei por Concurso Público e onde reencontrei
como Diretora a minha professora do terceiro ano do Grupo Escolar, Dona Maria
da Conceição Viegas Garbino. O senhor não sabe o que senti ao chegar na escola,
super motivada para inciar o novo ano letivo e ser bombardeada com uma notícia
dessas. Até a Diretora ficou pasmada. De sua boca, Seu Sílvio, saíram palavras
como profecias que nunca se concretizaram: ”vai chegar um dia em que professor
nenhum vai se sentir pertencente a uma escola só, mas de todas as escolas”.
Naquele momento não entendi, chorei muito, pois eu era Paulo Zillo, e tive que
me conformar com a nova situação. A minha vocação para o magistério não foi
abalada diante desses fatos. Ao contrário, fui muito feliz em todas as escolas
por onde passei. Mais feliz ainda por ter colaborado na Comemoração do
Centenário do Esperança de Oliveira, a escola que foi o meu berço. Não me sinto
professora de todas as escolas, como o Seu Sílvio disse, mas das escolas onde
atuei. Agradeço a Deus o dom de ensinar. Aos colegas, diretores, pais,
alunos, minha eterna gratidão. Considero-os minha segunda família! Neste ano
estamos comemorando 50 anos de existência da escola Dr. Paulo Zillo.
Vamos comemorar!
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