Em 1.977, ano da criação da E.E.P.G. do Parque Residencial São José, o
Parque, propriamente dito, estava nascendo. Havia poucas construções. A maioria
de nossos alunos era da vila Mamedina e da Cecap. Se pegarmos uma lista
telefônica, vamos encontrar as famílias tradicionais do bairro Mamedina, cujos
filhos fomos professores. Os alunos foram remanejados do Paulo Zillo e agora
podiam frequentar uma escola mais próxima de suas casas. Tenho na memória
alguns sobrenomes de alunos da época: Gutierres, Boso, Chapani, Temer Feres,
Paccola, Luiz, Doreto, Rodrigues, Garcia, Oliveira, Avanci, Piovezan, enfim, um
alunado de muito bom aproveitamento escolar. Com isso a escola só ganhou.
Muitos tiveram a oportunidade de continuar seus estudos. Dali saíram excelentes
profissionais, e onde quer que nos encontrem, acenam, se aproximam e lançam a
clássica pergunta: ”D. Zuleika, a senhora não se lembra de mim”? Aluno é como
filho, depois que os adotamos por um ano ou dois, não esquece jamais! Professor
cria um sentimento de posse sobre seus alunos, que exclue os demais colegas.
Ele se apropria de tal forma, que egoistamente anula os demais. Tudo passa a
ser fruto do trabalho dele. É claro que não é assim. Trabalhei praticamente a
vida toda com quartas séries, tinha um bom relacionamento com os professores de
quinta à oitava. Puxava muito e gostava de mandá-los muito bem preparados para
a série seguinte. Tínhamos um corpo docente de primeira linha: Lurdinha
(Matemática), Vera (Português), Orlando (Geografia), Maria José (Estudos Sociais),
etc. Sem falar no time do ensino fundamental. Poucos livros didáticos. A maior
parte do material utilizado em sala de aula era preparada pelo próprio
professor. Lembro-me de duas inspetoras de alunos da época: Janete Coneglian e
Maria José Montanholi. Tudo era feito no mimeógrafo. Com que presteza nos
atendiam. E o Alex Baptistela, nosso servente? Era um rapaz muito inteligente.
Não perdia oportunidade de ficar atrás da porta e acompanhar com atenção tudo
que ensinávamos. Na primeira oportunidade vinha expor e discutir tudo que havia
ouvido. Alex era solteiro quando iniciamos nosso trabalho. Casou-se e teve
um filho que exibia orgulhosamente para todo mundo. Alex partiu cedo, mas
deixou saudades. Dona Cida, nossa merendeira, era cunhada do Alex. Há pouco
tempo, a encontrei cheia de dores , como eu, numa clínica de fisioterapia. E
daí, Dona Cida, como vai? Cheia de dores, respondeu ela. Rimos juntas quando me
relatou a resposta que deu para um médico ao ser abordada sobre a causa de
tantas dores.” Doutor, lavar pilhas de pratos, que enfileirados, daria a
extensão daqui à São Paulo, foi isso que fiz a vida inteira”! Apesar das dores,
Dona Cida é feliz e se orgulha dos filhos que formou à custa de sua profissão.
Cristiane, uma de suas filhas, é diretora concursada de uma escola municipal.
Vida longa, Dona Cida!
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