quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

VILA MAMEDINA/PARQUE RESIDENCIAL SÃO JOSÉ

Em 1.977, ano da criação da E.E.P.G. do Parque Residencial São José, o Parque, propriamente dito, estava nascendo. Havia poucas construções. A maioria de nossos alunos era da vila Mamedina e da Cecap. Se pegarmos uma lista telefônica, vamos encontrar as famílias tradicionais do bairro Mamedina, cujos filhos fomos professores. Os alunos foram remanejados do Paulo Zillo e agora podiam frequentar uma escola mais próxima de suas casas. Tenho na memória alguns sobrenomes de alunos da época: Gutierres, Boso, Chapani, Temer Feres, Paccola, Luiz, Doreto, Rodrigues, Garcia, Oliveira, Avanci, Piovezan, enfim, um alunado de muito bom aproveitamento escolar. Com isso a escola só ganhou. Muitos tiveram a oportunidade de continuar seus estudos. Dali saíram excelentes profissionais, e onde quer que nos encontrem, acenam, se aproximam e lançam a clássica pergunta: ”D. Zuleika, a senhora não se lembra de mim”? Aluno é como filho, depois que os adotamos por um ano ou dois, não esquece jamais! Professor cria um sentimento de posse sobre seus alunos, que exclue os demais colegas. Ele se apropria de tal forma, que egoistamente anula os demais. Tudo passa a ser fruto do trabalho dele. É claro que não é assim. Trabalhei praticamente a vida toda com quartas séries, tinha um bom relacionamento com os professores de quinta à oitava. Puxava muito e gostava de mandá-los muito bem preparados para a série seguinte. Tínhamos um corpo docente de primeira linha: Lurdinha (Matemática), Vera (Português), Orlando (Geografia), Maria José (Estudos Sociais), etc. Sem falar no time do ensino fundamental. Poucos livros didáticos. A maior parte do material utilizado em sala de aula era preparada pelo próprio professor. Lembro-me de duas inspetoras de alunos da época: Janete Coneglian e Maria José Montanholi. Tudo era feito no mimeógrafo. Com que presteza nos atendiam. E o Alex Baptistela, nosso servente? Era um rapaz muito inteligente. Não perdia oportunidade de ficar atrás da porta e acompanhar com atenção tudo que ensinávamos. Na primeira oportunidade vinha expor e discutir tudo que havia ouvido. Alex era solteiro quando iniciamos nosso trabalho. Casou-se e teve um filho que exibia orgulhosamente para todo mundo.  Alex partiu cedo, mas deixou saudades. Dona Cida, nossa merendeira, era cunhada do Alex. Há pouco tempo, a encontrei cheia de dores , como eu, numa clínica de fisioterapia. E daí, Dona Cida, como vai? Cheia de dores, respondeu ela. Rimos juntas quando me relatou a resposta que deu para um médico ao ser abordada sobre a causa de tantas dores.” Doutor, lavar pilhas de pratos, que enfileirados, daria a extensão daqui à São Paulo, foi isso que fiz a vida inteira”! Apesar das dores, Dona Cida é feliz e se orgulha dos filhos que formou à custa de sua profissão. Cristiane, uma de suas filhas, é diretora concursada de uma escola municipal. Vida longa, Dona Cida!

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