Parodiando a expressão usada pelo
Delegado de Ensino, em 1.977, Senhor Sílvio da Cunha, para justificar as sete
professoras que seriam remanejadas para a recém-criada E.E.P.G. do Parque
Residencial São José, é que escolhi o título da página que estou iniciando.
Zuleika, Ângela Trecenti, Ângela Lorenzetti, Zizi (do Seu Fortes), Ozires
Cordeiro eram as ocupantes dos cinco últimos lugares na classificação por tempo
de exercício. As outras duas, remanejadas do Esperança de Oliveira por ocuparem
os dois últimos lugares no quesito tempo de exercício, foram a Geny Bernardes
Boso e Neide Cardoso Franco. As sete professoras se sentiram arrancadas de um
lugar que era seu de direito, conquistado à duras penas. Naquela época,
professor para chegar a assumir uma cadeira na cidade, já havia passado por escolas
na zona rural e em outros municípios. Eu me lembro de um fato que era rotina na
vida da Geny, quando lecionou em Alfredo Guedes. Ela morava no sítio do tio
Bepe. Casada com o Sérgio, um dos filhos do tio Bepe, ela, diariamente, pegava
o trem para ir lecionar. Tia Maria, cuidava dos netos enquanto a Geny
trabalhava. Num determinado horário, quando o trem apitava na curva, tia Maria
corria com as crianças para ver o trem passar e acenar para a mamãe. Eu
presenciei isto muitas vezes. O trajeto que o trem fazia e ainda faz, era muito
próximo das casas da fazenda. Falar da Geny, me trouxe à memória lembranças
muito gostosas das festas que lá aconteciam e do engenho. Os tachos de melado
que depois se transformavam em rapadura, sem falar da garapa colhida na hora na
boca do engenho, ou então, embrenhar-se no mato atrás dos ninhos das
galinhas para catar seus ovos, que delícia. Não sei precisar quantos filhos
tiveram, mas era uma família feliz, acolhedora. Tio Bepe era apaixonado pelo
Mário Zan e sua sanfona. Tinha em sua casa uma sala enorme e uma vitrola. Ali
as rancheiras tocavam sem parar. Tio Bepe tocava sanfona e, seus filhos,
Vicente e Hugo são exímios sanfoneiros. Geny e Neide se juntaram a nós no
Malatrazi e, assim que puderam, entraram em remoção e voltaram para o Esperança
de Oliveira. Além de dedicadas professoras, eram muito elegantes. Donas de uma
prática de ensino fruto de experiência acumulada ao longo dos anos, não
admitiam errar em nada. Era um cuidado até exagerado com a escrituração
escolar. De tempos em tempos éramos bombardeadas com reformas que exigiam
rápida adaptação e isto fortalecia nossa união. Foi muito bom recordar tudo
isto e ter o privilégio de trabalhar ao lado delas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário