sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

OS ÚLTIMOS LUGARES

Parodiando a expressão usada pelo Delegado de Ensino, em 1.977, Senhor Sílvio da Cunha, para justificar as sete professoras que seriam remanejadas para a recém-criada E.E.P.G. do Parque Residencial São José, é que escolhi o título da página que estou iniciando. Zuleika, Ângela Trecenti, Ângela Lorenzetti, Zizi (do Seu Fortes), Ozires Cordeiro eram as ocupantes dos cinco últimos lugares na classificação por tempo de exercício. As outras duas, remanejadas do Esperança de Oliveira por ocuparem os dois últimos lugares no quesito tempo de exercício, foram a Geny Bernardes Boso e Neide Cardoso Franco. As sete professoras se sentiram arrancadas de um lugar que era seu de direito, conquistado à duras penas. Naquela época, professor para chegar a assumir uma cadeira na cidade, já havia passado por escolas na zona rural e em outros municípios. Eu me lembro de um fato que era rotina na vida da Geny, quando lecionou em Alfredo Guedes. Ela morava no sítio do tio Bepe. Casada com o Sérgio, um dos filhos do tio Bepe, ela, diariamente, pegava o trem para ir lecionar. Tia Maria, cuidava dos netos enquanto a Geny trabalhava. Num determinado horário, quando o trem apitava na curva, tia Maria corria com as crianças para ver o trem passar e acenar para a mamãe. Eu presenciei isto muitas vezes. O trajeto que o trem fazia e ainda faz, era muito próximo das casas da fazenda. Falar da Geny, me trouxe à memória lembranças muito gostosas das festas que lá aconteciam e do engenho. Os tachos de melado que depois se transformavam em rapadura, sem falar da garapa colhida na hora na boca do engenho, ou então, embrenhar-se no mato atrás dos ninhos das galinhas para catar seus ovos, que delícia. Não sei precisar quantos filhos tiveram, mas era uma família feliz, acolhedora. Tio Bepe era apaixonado pelo Mário Zan e sua sanfona. Tinha em sua casa uma sala enorme e uma vitrola. Ali as rancheiras tocavam sem parar. Tio Bepe tocava sanfona e, seus filhos, Vicente e Hugo são exímios sanfoneiros. Geny e Neide se juntaram a nós no Malatrazi e, assim que puderam, entraram em remoção e voltaram para o Esperança de Oliveira. Além de dedicadas professoras, eram muito elegantes. Donas de uma prática de ensino fruto de experiência acumulada ao longo dos anos, não admitiam errar em nada. Era um cuidado até exagerado com a escrituração escolar. De tempos em tempos éramos bombardeadas com reformas que exigiam rápida adaptação e isto fortalecia nossa união. Foi muito bom recordar tudo isto e ter o privilégio de trabalhar ao lado delas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário