segunda-feira, 8 de junho de 2015

O PÃOZINHO DE SANTO ANTÔNIO

Sei que muita coisa que relato hoje é fruto de uma fé forjada pela catequese que tivemos quando crianças. Catequese de inteira responsabilidade da família. De modo especial, pelas mãos das mães. Já tive oportunidade de falar em meu blog dos recursos que eram utilizados. Minha mãe tinha uma caixa de santinhos de papel, que eu e meus irmãos adorávamos olhar. Foi com ela que aprendemos a conhecer os santos e suas histórias. No seu quarto tinha uma figura em cartão de Nossa Senhora de Fátima e aos seus pés os três pastorzinhos numa atitude de arrebatamento diante da Mãe de Deus, que nos arrebatava também. Meu pai tinha uma fábrica de produtos derivados do milho. Qual era o nome? São João. Tinha um quadro belíssimo na parede com a figura dele.  Olhar para aquela criança angelical, de cabelinhos encaracolados, tendo ao seu lado aquele carneirinho tão mimoso, também nos arrebatava para a presença de Deus. Na cabeceira de nossas camas, a figura do Anjo da Guarda, que conservo até hoje. O tempo foi passando, a educação foi mudando, e hoje se não fossem as catequistas com seu trabalho de evangelização, desde a mais tenra idade, não sei quantas mães teriam tempo para catequizar seus filhos. Hoje, não tenho só na lembrança o que relato. Minha mãe conserva todas as imagens dos santos de que falei, e quando algum está roído demais pelo tempo que passou, ela insiste em guardar, pois jogar santo fora é pecado. E foi lá, no meio de suas relíquias, que fui buscar subsídios para relatar muita coisa de Santo Antônio, já caídas no esquecimento. Comecei minha página de hoje para falar do pãozinho de Santo Antônio e também fazer uma homenagem à Tia Yolanda Radicchi, que dedicou sua vida toda à Igreja. No dia de Santo Antônio enchia nossas mãos de pão bento, porque fazia questão que levássemos para outras pessoas que não tinham participado da missa e assim continuar a tradição. A história do “PÃO DE SANTO ANTÔNIO” remonta a um fato curioso que é assim narrado: ”Antônio comovia-se tanto com a pobreza que, certa vez, distribuiu aos pobres todo o pão do convento em que vivia. O frade padeiro ficou em apuros quando na hora da refeição, percebeu que os frades não tinham o que comer: os pães tinham sido “roubados”. Espantado foi contar ao Santo o ocorrido. Este, calmamente, mandou que ele verificasse melhor o lugar em que os tinha deixado. O frade padeiro voltou espantado e alegre: os cestos transbordavam de pão, tanto que foram distribuídos aos frades e aos pobres do convento”. O PÃOZINHO DE SANTO ANTÔNIO é , por tradição, colocado, pelos fiéis, nos sacos de farinha, com a fé de que, assim, nunca lhes faltará o que comer.
No dia 13 de junho, às 18 horas, Missa na Capela de Santo Antônio no Corvo Branco. Após a missa, quermesse, onde serão oferecidos a tradicional sopa de gratine, salgados, doces típicos e bebidas quentes. VAMOS PRESTIGIAR!

domingo, 7 de junho de 2015

QUEM FOI SANTO ANTÔNIO DE LISBOA E DE PÁDUA?

Um cristão privilegiado em dons de Deus. Desde a infância era feliz na graça de Deus, amado pelos seus familiares, crescendo dia a dia como amigo de Cristo. Santo Antônio sempre teve grande devoção pelos Sacramentos, Sagradas Escrituras e ensinamentos da Igreja. A fé entra pelos ouvidos, por isso deve ser pregada, tornar-se prática no modo de viver, e foi o que fez Santo Antônio, sem esperar a retribuição e sem transacionar em termos comerciais. Viveu para o próximo, para o sacrifício, para a fé no poder de Deus. Morreu moço, tendo sido canonizado onze meses após. O culto dedicado ao santo por milhares de fervorosos adeptos,  foi rapidamente se estendendo. Não só os católicos homenageavam Santo Antônio, mas também os índios da América do Norte, os pagãos da China, os ortodoxos e os cismáticos. A devoção a Santo Antônio deve estar ligada a Deus, que é amor e afasta o desespero. Falham aqueles que só enxergam no santo “ o casamenteiro”  ou “o restituidor de coisas perdidas”. Falham aqueles que através de crendices procuram obter lucros, substituindo a imagem verdadeira do Santo. O melhor momento para honrar-se Santo Antônio é no seu dia e a forma correta de cultuá-lo será a imitação de sua vida, através de atos em benefício ao próximo, isentos de crendice. A figura de Santo Antônio deverá ser um apelo a um trabalho melhor, a um comportamento mais humano e menos egoísta. Esse é o culto que deve ser dedicado ao Santo, esse foi seu modo de viver.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

DONA ERMELINDA E O RESPONSÓRIO DE SANTO ANTÔNIO

Santo Antônio também é o Santo que nos ajuda a encontrar as coisas perdidas. Existe uma oração chamada Responsório, que rezada por pessoas de muita fé, fazem o que está perdido aparecer. São pessoas de uma fé imensa no poder de intercessão de Santo Antônio junto a Jesus. Uma dessas pessoas era Dona Ermelinda, filha de tradicional família lençoense, a família Paccola. Dona de um sorriso encantador e de uma meiguice cativante, era procurada por todos que desesperados pela perda de algo, confiavam na sua oração para recuperar. Além do sorriso, da meiguice, envolvia a todos com o seu jeito carinhoso de tratar as pessoas e conversar. Era de uma religiosidade e caridade que só encontramos em pessoas muito especiais. Era casada com seu Walter Cusin e mãe de duas filhas: a Marli e a Dionísia. Tive oportunidade de dar aula para a mais nova, a Dionísia. Lembro-me do carinho dela comigo quando dei aula para a Dionísia. Lembrava com lágrimas nos olhos como a Dionísia havia nascido pequenina. Ela dizia que era um bebê tão pequeno que um anel servia de pulseirinha em seu braço. Dona Ermelinda teve a alegria de ver as filhas formadas, casadas, netos correndo pela casa e muitas outras coisas boas. Certa ocasião, estava em Amparo hospedada em uma Colônia de Férias da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo com minha família, quando precisei de Dona Ermelinda. Amparo é uma cidade que tem uma localização privilegiada. Permite passeios e compras muito boas. Circulávamos por Lindóia, Serra Negra, Monte Sião, Estâncias Turísticas que deixavam meus filhos, então crianças, encantados. Quando estava em Lindóia ia sempre visitar a querida Irmã Antonieta, recolhida no Hospital da cidade e cuidada pelas outras Irmãs de sua ordem. Monte Sião foi palco do que vou narrar agora. Cidade pitoresca, famosa pelas suas malhas, atraía e atrai até hoje quem quer adquirir seus produtos. Homens, mulheres, jovens, todos se dedicam a arte de confeccionar os tricôs. Em cada casa há uma confecção. Foi numa dessas lojas que fiz compra para a família. No dia seguinte, dei por falta de minha carteira. Bateu o desespero. Fomos à delegacia, fizemos boletim de ocorrência, comunicamos ao gerente da colônia e, no desespero, ligamos para minha sogra, que logo fez contato com a Dona Ermelinda para fazer o RESPONSÓRIO. Não foi possível encontrá-la. Voltamos sem a carteira. Estava perdida. Dias depois, recebo pelo correio um pacote com um bilhete que dizia o seguinte: ”Encontramos sua carteira no meio das peças de tricô que a senhora, provavelmente, estava vendo. Tivemos o cuidado de abri-la e encontramos o seu endereço. Tiramos apenas o dinheiro suficiente para enviá-la pelo correio.” Junto, um cartãozinho da loja. Guardo até hoje o bilhetinho. Foi ou não foi um milagre de SANTO ANTÔNIO?

quinta-feira, 4 de junho de 2015

QUADRILHAS

As quadrilhas fizeram, fazem e sempre farão o maior sucesso nas festas juninas. Dizem que no nordeste  o ano se divide em duas partes: Carnaval e Festas Juninas. O Carnaval, seja onde for, não me atrai, mas as quadrilhas exercem um fascínio muito grande sobre mim. É nesta época do ano que fico presa à televisão atrás das reportagens das tradicionais festas juninas das regiões norte, nordeste. A riqueza das coreografias, o artesanato que explode no colorido das roupas, que riqueza de detalhes. A criatividade e variedade de materiais empregados é de uma riqueza ímpar. Não há ouro ou pedra preciosa que se iguale. Mas tudo isso cativa porque quem se dispõe a participar das danças, o faz com o coração. As raízes falam mais alto, e então, numa explosão de sentimentos o espetáculo acontece. E nossos repórteres, na ânsia de buscar o novo, acabam apresentando espetáculos que nada mais são do que a perpetuação de nossa cultura. Nestas regiões todos são valorizados, principalmente os mais velhos. São eles os responsáveis por manter vivas as tradições. Em todas as apresentações, o que vemos, são pessoas simples, de todas as idades, crianças, jovens, idosos. A partir do momento que integram um grupo, a alegria toma conta. Ninguém está preocupado se está acima do peso, se falta um dente na boca, se é velho demais, ao contrário, quando entrevistados exibem uma satisfação de dar inveja. Admiro o trabalho que os artistas mais jovens fazem, criando ONGS do nada, contando apenas com o recurso dessa motivação interna presente nas comunidades mais pobres e projetando-as para a vida! São jovens que ao invés de buscar na droga a realização pessoal, colocam os seus conhecimentos, a sua arte, a serviço da formação das novas gerações. E assim vão surgindo por esse Brasil afora, bandas, orquestras, grupos de dança, etc. Os projetos de sustentabilidade, outro grande exemplo. Do nada, mas muito bem orientados, contando apenas com os recursos naturais de cada região, o artesanato regional já está alcançando o mercado internacional.Por trás de cada idealizador de um projeto há um ser humano preocupado com o próximo, com o futuro. Vamos acompanhar com atenção o que o mês de junho nos reserva. E vamos curtir nossos netos dançando as populares quadrilhas em suas escolas.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

DOCES E COLORIDAS LEMBRANÇAS

Parece que ainda sinto no rosto o frio do mês de junho enquanto acompanhávamos a procissão, mas ao chegarmos lá, parecia que tínhamos alcançado uma grande vitória, pois tudo era muito festivo. Entrar na capela era essencial. Era nossa homenagem ao grande Santo.  Depois, sim, curtir tudo que a festa oferecia. Íamos à pé, mas a volta era de circular. Como o próprio nome está dizendo, eram ônibus que ficavam circulando durante o dia e à noite, levando o povo para festar. Nos horários de pico formavam-se filas imensas. Eram pagos, mas nunca nos deixavam na mão. De Lençóis partiam da Rodoviária. Soube que estão providenciando melhorias no acesso ao Bairro do Corvo Branco, pois, hoje, quem quer chegar lá, precisa pegar a rodovia que dá acesso à cidade de Macatuba, e ao chegar na altura do Corvo Branco, sair no acostamento e aguardar que a pista esteja livre para atravessá-la em segurança. Perdeu-se o encanto de andar, andar, andar muito para chegar até lá, mas vale a pena marcar presença. O grande problema hoje é onde estacionar, mas acredito que a comissão dos festejos deve ter se preocupado com isso. A Capela é pequena, mas o coração de Santo Antonio é imenso e generoso. Minha mãe é grande devota de Santo Antônio. Possui várias imagens dele e relata grande número de graças alcançadas através dele. Nós, seus filhos, aprendemos com ela a suplicar em todos os momentos difíceis. Na recuperação de objetos perdidos, sua ajuda é infalível. Minha mãe tem inúmeras orações, que de tanto rezar, estão amareladas e comidas pelo tempo. Mas é muito linda a devoção que ela tem ao santo. Santo casamenteiro é também uma grande fama dele. Existe até uma imagem desrespeitosa, que é vendida em grandes centros religiosos, para fazer chantagem com ele. O Menino Jesus que aparece em seu colo, é móvel, pode ser retirado. Então, quando alguém quer um namorado, esconde o pequeno Jesus e promete ao santo, só devolvê-lo, quando lhe conceder a graça pedida. É tão linda a vida de Santo Antônio. O pãozinho que é abençoado no seu dia é a tradição que nunca esteve ausente em nossa família. Todos nós comemos um pedacinho e o resto é colocado junto com os mantimentos, para que ele nunca falte em nossos lares. O pão é abençoado e distribuído na Igreja no seu dia, graças aos  devotos  que pagam suas graças, doando  os mesmos.
Parabéns à comissão de festejos. Parabéns ao Padre Milton. Os devotos de SANTO ANTÔNIO vão marcar presença!


terça-feira, 2 de junho de 2015

FESTA NO CORVO BRANCO

Fiquei muito feliz quando vi, num jornal local, a notícia da realização da tradicional Festa de Santo Antônio no Corvo Branco. De novo vieram à minha lembrança de criança como esta festa era prestigiada pela população de Lençóis. A abertura  era feita com a solene procissão que saía da Igreja Matriz rumo ao Bairro do Corvo Branco. Não era motorizada. Mês de Junho era muito frio, mas lá íamos nós, acompanhando o andor de Santo Antônio. Casaco pesado, cachecol enrolado no pescoço, vela na mão e a devoção ao santo, faziam com que o povo todo ano participasse da festa. O trajeto era longo, considerando-se que a cidade de Lençóis não tinha a dimensão que tem hoje. Descíamos da Matriz até a rua 15 de Novembro, seguíamos até a esquina do atual Banco Itaú, subíamos até a Vila Contente. Na antiga Destilaria tinha início o trecho mais longo do percurso. Caminhávamos em chão de terra batida até chegar à Capela de Santo Antônio. Era realmente um grande gesto de fé e devoção ao santo. Esta procissão acontecia na abertura da festa. No dia de Santo Antônio havia missa solene com procissão pelos arredores da Capela. Tudo que hoje tenta se resgatar, não tem o mesmo gosto das festas da época, mas é louvável a iniciativa. Soube através dos jornais, que a Capela foi restaurada. Que a famosa Barraca do Recreio também está pronta para servir o tradicional almoço, que na época era feito pelas senhoras descendentes de italianos, as Capoani, as Canova, as Ciccone e as Pettenazzi, que sabiam fazer como ninguém, a deliciosa comida italiana: sopa de gratine, ravióli, leitoa assada, polenta com frango, tudo de dar água na boca. Esta barraca era frequentada pelas pessoas de maior poder aquisitivo. Porém, havia outra barraca que ficava na parte mais alta, famosa pelos pastéis e outros petiscos, comandada pela família Baptistella. Além das devoções, da comida, havia as diversões.  Quem não conheceu o seu Arlindinho e sua famosa Barraca de prendas que eram sorteadas e faziam a delícia de quem ganhava? Ali encostavam velhos, adultos, crianças, que adquirindo seu bilhete ficavam aguardando finalizar a venda dos números da rodada. Só então, Seu Arlindinho girava a roleta e anunciava o número. Era muito legal. As rodadas aconteciam o tempo todo. O Correio Elegante fazia a delícia de quem era jovem, na esperança de que Santo Antônio desse uma mãozinha! E o leilão de gado? Desde muito cedo, as pessoas responsáveis pela festa saíam pelas propriedades rurais pedindo prendas. Os animais ficavam expostos no recinto e no encerramento da mesma eram leiloados. Era uma tradição que se repetia anualmente. Eu acredito que a construção da Rodovia Marechal Rondon colaborou com o fim da tradicional festa, pois o perigo é muito grande para atravessá-la. Com o crescimento da cidade, a Capela do Corvo Branco passou a pertencer à Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, que tem como Pároco Padre Milton. Muito dinâmico, carismático, Padre Milton tem conseguido de seus paroquianos todo o apoio necessário para o resgate desta tradição. Quero prestigiar tudo que acontecer por lá. Que Deus abençoe todos aqueles que estão se dedicando a este evento.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Festas Juninas - Doces lembranças


Já estamos no mês de Junho, sexto mês do ano. Tradicional mês das festas juninas. Tornou-se tão curto, que o que era tradição ser comemorado em junho, agora se estende pelo mês de julho.Temos, então, festas juninas e julinas. Junho tem gosto de quentão, vinho quente, pipoca, canjica, doce de abóbora, de batata doce, arroz doce, etc. Desde muito cedo tomei gosto por estas festas. Quando criança, meu pai nos levava pelos sítios de seus tios  e ali desfrutávamos da alegria de ver os familiares e amigos reunidos. Eu acho que para as crianças não havia coisa mais linda do que ver a fogueira ardendo e a sanfona tocando com maestria. As rancheiras executadas levavam para o meio do terreiro os casais que varavam a noite dançando.Todos arrastavam os pés alegremente. Tive oportunidade de crescer ouvindo este instrumento tocado com habilidade pela família BOSO e de conhecer pessoalmente o MÁRIO ZAN, sanfoneiro muito amigo da família e que fazia questão de comparecer às festas ou simplesmente curtir a amizade que os unia. Lembro-me das rezas, principalmente, da ladainha, que era rezada no final do terço, antes de erguer o mastro. Mês de junho era muito frio, e nós crianças não víamos a hora de levantar o mastro para correr e se aquecer na fogueira. Santo Antônio, o primeiro dos santos comemorado em junho, tem fama de santo casamenteiro. A tradição diz que quem não socar o mastro, não casa. Por isso, mal era levantado, as moças solteiras corriam na base do mesmo pedindo casamento e socando. Com isso, o mastro ficava firme até o ano seguinte. O pipocar dos rojões acontecia quando o mastro era levantado. Sempre ouvi falar que quem tem fé, no momento em que a fogueira já está reduzida à brasas, consegue atravessá-la descalço. Tinha muita curiosidade sobre isso, até que um dia, numa dessas festas em Alfredo Guedes, eu pude ver um devoto atravessar a fogueira sem se queimar. Inacreditável!