sexta-feira, 12 de junho de 2015

VOCAÇÃO FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO

A divisa de Antônio era: vida por vida, alma por alma, amor por amor, imolação total de si mesmo para a glória de Deus! Santo Antônio amou Deus por Deus. Ora, enquanto ele estava no Convento de Santa Cruz, chegaram com grande pompa as relíquias de cinco franciscanos que tinham regado com o seu sangue as terras da África. Ninguém ficou mais tocado que ele com o esplendor dessas festas. Contemplando as relíquias, ele manifestava ao Altíssimo, o desejo de passar pela mesma prova: o sofrimento, o martírio de morrer por amor, oferecendo o sacrifício da própria vida. E diante das relíquias dos santos mártires, Fernando suplicava e se indagava: ”Terei eu essa felicidade? Esse dia chegará para mim?" Os santos mártires ouviram os suspiros de Fernando e, para responder-lhe, enviaram religiosos de São Francisco, aos quais poderia falar de seus projetos. Fernando, então, confidenciou aos religiosos, o seu desejo de entrar para a Ordem de São Francisco, com o firme propósito de ser enviado para a África e ali servir e fazer parte do número de mártires que deram sua vida por amor a Deus. A aprovação não se fez esperar. Dom Fernando foi recebido de braços abertos na Ordem de São Francisco, COM O NOME DE ANTÔNIO. A promessa feita a Fernando foi cumprida. Após o noviciado, foi admitido à profissão e enviado à África onde São Bernardo e seus companheiros receberam a coroa do martírio. Mas Deus reservara a Antônio outra glória. Apesar de desejar ser ignorado, colocando-se abaixo de todos para crescer diante de Deus, não podendo receber o martírio do sangue, entregou-se ao martírio da renúncia. Escondeu seus talentos com tanto cuidado, que durante muito tempo era olhado quase como um ignorante. Era tão reservado, que passava quase por imbecil e, só entregavam a ele, os serviços mais vulgares do convento. E ele tudo aceitava sem dizer uma única palavra sobre sua origem, ou os vastos conhecimentos teológicos adquiridos. Sua única ambição era conhecer Jesus, Jesus crucificado, amá-lo, unir-se a ele. Humildade e obediência eram grandes atributos de Santo Antônio. Perfeito discípulo de Jesus e do patriarca São Francisco, Antônio de Pádua escolhia sempre o último lugar, evitando os louvores humanos. A obediência é a pedra de toque da humildade. Quanto mais uma alma se despreza, mais agrada a Deus e mais facilmente se submete às ordens dos que o representam. É o que nos mostra Santo Antônio. Apesar do grande atrativo pela humildade e escondimento, era pela obediência que renunciava aos seus desejos e corria para onde seus superiores o mandavam. Foi para a África procurar o martírio por obediência, voltou à Itália por obediência, se prega, se ensina teologia, se exerce o cargo de guardião é por obediência. Santo Antônio não se julgava bom para nada, mas por obediência, sentia-se capaz de tudo fazer.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Pequena biografia de Santo Antônio

Foi no dia 15 de agosto de 1195, que nasceu em Lisboa, Santo Antônio de Pádua. Pelo lado paterno pertencia à ilustre família de Godofredo Bulhões e, pelo lado de sua mãe, Maria Teresa de Távora, à família real das Astúrias. Consagrou-se ao Senhor desde muito pequeno, educado que foi por mãe muito piedosa. Quando completou dez anos, entrou no colégio dos cônegos da catedral. A sua piedade de anjo, fazia com que fosse admirado por todos. Foi aos 15 anos, que se entregou sem reservas ao serviço de Deus. Entrou num convento dos cônegos de Santo Agostinho, em sua cidade natal. Era muito apaixonado pela oração, mas recebia muitas visitas de parentes e amigos e isto o impedia de entregar-se a elas com todo o ardor de sua piedade. Pediu aos seus superiores autorização para se retirar para o convento de Santa Cruz de Coimbra, onde poderia ficar mais sozinho e, então, se dedicar ao que desejava. Autorização concedida, ali passou dez anos de sua vida. Foi ali que entre as obrigações que lhe eram atribuídas pela ordem, aproveitava todo o tempo que lhe restava, para a meditação e leitura dos livros santos. Dócil às inspirações da graça, aplicava-se a conhecer e procurar tudo que era agradável a Deus. Santo Antônio tinha uma memória prodigiosa e retinha tudo que lia. E assim abrasado de amor a Deus, encontrou na leitura assídua da Palavra, o calor necessário para oferecer um coração ardente a Deus. Como boa árvore plantada em terra fértil, Fernando de Bulhões crescia e adornava-se para dar frutos abundantes no tempo preciso.
Um dia, durante os primeiros anos de sua vida, o jovem Fernando rezava, com as mãos postas, diante da imagem da Santíssima Virgem. De repente, o demônio, invejoso da beleza de sua alma, apareceu-lhe sob uma forma horrenda, ameaçadora, procurando afastá-lo de Maria. Na hora, o menino lembrou-se do que havia aprendido sobre o poder do Sinal da Cruz. Traçou-o imediatamente, sobre o mármore onde estava ajoelhado rezando. Que maravilha! O mármore tornou-se flexível sob a pressão de seus dedos e o Sinal da Cruz ficou impresso nele! O Sinal da Cruz, mais forte que um raio, expulsou o espírito mau. O tempo não apagou este sinal, e até hoje, os peregrinos beijam este vestígio, primeiro prodígio de Santo Antônio de Pádua.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

MEUS IRMÃOS PEIXES...

Achava-se um dia Santo Antonio na cidade de RIMINI, na Romanha, procurando um meio de levar a Deus, as multidões que as paixões mundanas desgarravam. Implorou a proteção do Criador e fez sinal ao povo para segui-lo à praia e o conduziu à embocadura do rio Marecchia. Aí, voltando-se para o mar Adriático, clamou em alta voz: ”Peixes do rio, peixes do mar, ouvi. Quero anunciar-vos a Palavra de Deus, uma vez que os heréticos se recusam a ouvi-la”. À sua voz, as ondas agitaram-se; inúmeras espécies desses habitantes, que povoam o mar, correram para aquele que os havia chamado. MEUS IRMÃOS PEIXES, disse-lhes, DEVEIS AO CRIADOR UM RECONHECIMENTO SEM MEDIDA, FOI ELE QUE VOS DEU PARA MORADA OS RIOS, MARES, OCEANOS. Foi Ele que vos deu esta casa nas profundezas das águas, para refúgio nas tempestades; deu-vos nadadeiras para irdes onde quiserdes e vos forneceu a comida de cada dia. Criando-vos, ordenou crescerdes e multiplicar-vos e abençoou-vos. No dilúvio universal, enquanto os outros animais pereciam nas águas, Deus os conservou. Fez-vos a honra de escolher-vos para salvar o profeta Jonas, fornecer o tributo ao Filho do Homem e servir-lhe de alimento antes e depois da sua ressurreição. Louvai e bendizei ao Senhor, que vos favoreceu entre todos os seres da criação. Os peixes atentos, como se fossem dotados de inteligência, testemunhavam por movimentos, que tinham prazer em ouvir o Santo e queriam dar a Deus o mudo tributo de suas adorações. “Vede, exclamou Santo Antônio, voltando-se para os heréticos, admirai como criaturas privadas de razão, ouvem a Palavra de Deus com mais docilidade que os homens criados à sua imagem e semelhança!”

Na trezena de Santo Antônio, exatamente no décimo segundo dia, há uma invocação que começa assim: “Ó glorioso Santo Antônio, cuja língua bendita ensinou os homens a louvarem a Deus, tende piedade de mim e lembrai-vos que não foi só em vosso proveito que Deus o dotou de tantos dons, mas foi também em meu benefício e para me animar a recorrer a vós em todas as necessidades da alma”.




terça-feira, 9 de junho de 2015

SANTO ANTÔNIO DAS COISAS PERDIDAS

Interessante notar como as três crenças mais populares atribuídas a Santo Antônio se entrelaçam. Como surgiu a crença no Santo das coisas perdidas? Dizem que uma senhora de família nobre perdera as chaves de sua casa e ninguém conseguia abrir-lhe a porta. Pediu a Santo Antônio que a ajudasse e, como retribuição, prometeu que daria, caso as chaves fossem encontradas, pão para os pobres a cada terça- feira. O Santo a ouviu, as chaves foram encontradas e ela, até o fim de sua vida, cumpriu a promessa feita na hora da aflição. Desde então, Santo Antônio sempre foi invocado como o santo das coisas perdidas, das quais a mais perdida de todas é o coração humano. Daí ser invocado como o Santo Casamenteiro, que  aproxima os corações perdidos. Há muitas lendas em torno dessa crença. Eis uma delas: existia em Pádua, um tirano de nome Ezzelino, que baixara um decreto, segundo o qual, tanto o homem como a mulher deveriam levar para o casamento o mesmo dote. Assim, rico sempre se casaria com rico e pobre com pobre. Casava-se mais com a “carteira” do que com o coração. A população da cidade se revoltou e Santo Antônio enfrentou o tirano em praça pública. E tal foi a força de suas palavras que Ezzelino foi obrigado a revogar o tal do decreto. Santo Antônio foi carregado em triunfo e, desde então, aclamado como ”o santo casamenteiro”.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

O PÃOZINHO DE SANTO ANTÔNIO

Sei que muita coisa que relato hoje é fruto de uma fé forjada pela catequese que tivemos quando crianças. Catequese de inteira responsabilidade da família. De modo especial, pelas mãos das mães. Já tive oportunidade de falar em meu blog dos recursos que eram utilizados. Minha mãe tinha uma caixa de santinhos de papel, que eu e meus irmãos adorávamos olhar. Foi com ela que aprendemos a conhecer os santos e suas histórias. No seu quarto tinha uma figura em cartão de Nossa Senhora de Fátima e aos seus pés os três pastorzinhos numa atitude de arrebatamento diante da Mãe de Deus, que nos arrebatava também. Meu pai tinha uma fábrica de produtos derivados do milho. Qual era o nome? São João. Tinha um quadro belíssimo na parede com a figura dele.  Olhar para aquela criança angelical, de cabelinhos encaracolados, tendo ao seu lado aquele carneirinho tão mimoso, também nos arrebatava para a presença de Deus. Na cabeceira de nossas camas, a figura do Anjo da Guarda, que conservo até hoje. O tempo foi passando, a educação foi mudando, e hoje se não fossem as catequistas com seu trabalho de evangelização, desde a mais tenra idade, não sei quantas mães teriam tempo para catequizar seus filhos. Hoje, não tenho só na lembrança o que relato. Minha mãe conserva todas as imagens dos santos de que falei, e quando algum está roído demais pelo tempo que passou, ela insiste em guardar, pois jogar santo fora é pecado. E foi lá, no meio de suas relíquias, que fui buscar subsídios para relatar muita coisa de Santo Antônio, já caídas no esquecimento. Comecei minha página de hoje para falar do pãozinho de Santo Antônio e também fazer uma homenagem à Tia Yolanda Radicchi, que dedicou sua vida toda à Igreja. No dia de Santo Antônio enchia nossas mãos de pão bento, porque fazia questão que levássemos para outras pessoas que não tinham participado da missa e assim continuar a tradição. A história do “PÃO DE SANTO ANTÔNIO” remonta a um fato curioso que é assim narrado: ”Antônio comovia-se tanto com a pobreza que, certa vez, distribuiu aos pobres todo o pão do convento em que vivia. O frade padeiro ficou em apuros quando na hora da refeição, percebeu que os frades não tinham o que comer: os pães tinham sido “roubados”. Espantado foi contar ao Santo o ocorrido. Este, calmamente, mandou que ele verificasse melhor o lugar em que os tinha deixado. O frade padeiro voltou espantado e alegre: os cestos transbordavam de pão, tanto que foram distribuídos aos frades e aos pobres do convento”. O PÃOZINHO DE SANTO ANTÔNIO é , por tradição, colocado, pelos fiéis, nos sacos de farinha, com a fé de que, assim, nunca lhes faltará o que comer.
No dia 13 de junho, às 18 horas, Missa na Capela de Santo Antônio no Corvo Branco. Após a missa, quermesse, onde serão oferecidos a tradicional sopa de gratine, salgados, doces típicos e bebidas quentes. VAMOS PRESTIGIAR!

domingo, 7 de junho de 2015

QUEM FOI SANTO ANTÔNIO DE LISBOA E DE PÁDUA?

Um cristão privilegiado em dons de Deus. Desde a infância era feliz na graça de Deus, amado pelos seus familiares, crescendo dia a dia como amigo de Cristo. Santo Antônio sempre teve grande devoção pelos Sacramentos, Sagradas Escrituras e ensinamentos da Igreja. A fé entra pelos ouvidos, por isso deve ser pregada, tornar-se prática no modo de viver, e foi o que fez Santo Antônio, sem esperar a retribuição e sem transacionar em termos comerciais. Viveu para o próximo, para o sacrifício, para a fé no poder de Deus. Morreu moço, tendo sido canonizado onze meses após. O culto dedicado ao santo por milhares de fervorosos adeptos,  foi rapidamente se estendendo. Não só os católicos homenageavam Santo Antônio, mas também os índios da América do Norte, os pagãos da China, os ortodoxos e os cismáticos. A devoção a Santo Antônio deve estar ligada a Deus, que é amor e afasta o desespero. Falham aqueles que só enxergam no santo “ o casamenteiro”  ou “o restituidor de coisas perdidas”. Falham aqueles que através de crendices procuram obter lucros, substituindo a imagem verdadeira do Santo. O melhor momento para honrar-se Santo Antônio é no seu dia e a forma correta de cultuá-lo será a imitação de sua vida, através de atos em benefício ao próximo, isentos de crendice. A figura de Santo Antônio deverá ser um apelo a um trabalho melhor, a um comportamento mais humano e menos egoísta. Esse é o culto que deve ser dedicado ao Santo, esse foi seu modo de viver.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

DONA ERMELINDA E O RESPONSÓRIO DE SANTO ANTÔNIO

Santo Antônio também é o Santo que nos ajuda a encontrar as coisas perdidas. Existe uma oração chamada Responsório, que rezada por pessoas de muita fé, fazem o que está perdido aparecer. São pessoas de uma fé imensa no poder de intercessão de Santo Antônio junto a Jesus. Uma dessas pessoas era Dona Ermelinda, filha de tradicional família lençoense, a família Paccola. Dona de um sorriso encantador e de uma meiguice cativante, era procurada por todos que desesperados pela perda de algo, confiavam na sua oração para recuperar. Além do sorriso, da meiguice, envolvia a todos com o seu jeito carinhoso de tratar as pessoas e conversar. Era de uma religiosidade e caridade que só encontramos em pessoas muito especiais. Era casada com seu Walter Cusin e mãe de duas filhas: a Marli e a Dionísia. Tive oportunidade de dar aula para a mais nova, a Dionísia. Lembro-me do carinho dela comigo quando dei aula para a Dionísia. Lembrava com lágrimas nos olhos como a Dionísia havia nascido pequenina. Ela dizia que era um bebê tão pequeno que um anel servia de pulseirinha em seu braço. Dona Ermelinda teve a alegria de ver as filhas formadas, casadas, netos correndo pela casa e muitas outras coisas boas. Certa ocasião, estava em Amparo hospedada em uma Colônia de Férias da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo com minha família, quando precisei de Dona Ermelinda. Amparo é uma cidade que tem uma localização privilegiada. Permite passeios e compras muito boas. Circulávamos por Lindóia, Serra Negra, Monte Sião, Estâncias Turísticas que deixavam meus filhos, então crianças, encantados. Quando estava em Lindóia ia sempre visitar a querida Irmã Antonieta, recolhida no Hospital da cidade e cuidada pelas outras Irmãs de sua ordem. Monte Sião foi palco do que vou narrar agora. Cidade pitoresca, famosa pelas suas malhas, atraía e atrai até hoje quem quer adquirir seus produtos. Homens, mulheres, jovens, todos se dedicam a arte de confeccionar os tricôs. Em cada casa há uma confecção. Foi numa dessas lojas que fiz compra para a família. No dia seguinte, dei por falta de minha carteira. Bateu o desespero. Fomos à delegacia, fizemos boletim de ocorrência, comunicamos ao gerente da colônia e, no desespero, ligamos para minha sogra, que logo fez contato com a Dona Ermelinda para fazer o RESPONSÓRIO. Não foi possível encontrá-la. Voltamos sem a carteira. Estava perdida. Dias depois, recebo pelo correio um pacote com um bilhete que dizia o seguinte: ”Encontramos sua carteira no meio das peças de tricô que a senhora, provavelmente, estava vendo. Tivemos o cuidado de abri-la e encontramos o seu endereço. Tiramos apenas o dinheiro suficiente para enviá-la pelo correio.” Junto, um cartãozinho da loja. Guardo até hoje o bilhetinho. Foi ou não foi um milagre de SANTO ANTÔNIO?