quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A MENININHA MARIA CONCEIÇÃO E A CARTOGRAFIA

Sempre gostei de trabalhar com as quartas séries, alunos numa fase de transição, nem tão crianças, nem tão pouco adolescentes. Tinha um jeito especial para lidar com eles. Fazia tudo direcionado para a série seguinte, queria que eles chegassem muito bem preparados, talvez, para evitar o mesmo trauma que sofri ao entrar no ginásio, a inesquecível reprovação em massa. Tinha um excelente relacionamento com os professores da quinta série. Conhecia o conteúdo que seria desenvolvido no ano seguinte. Gostava de desafiar meus alunos com questões das séries seguintes. Quando acertavam, ficavam felizes da vida. Muitas vezes, promovia uma disputa de conhecimentos entre meninos e meninas. Ambos elaboravam questões para saber quem sabia mais: meninos ou meninas. A disputa era acirrada. Confesso que, muitas vezes, cheguei a assustá-los com tantas exigências. Fazia questão de cadernos impecáveis. Tinha o hábito de exigir deles a separação de um exercício do outro, com traço vermelho. Para isso era indispensável a régua e o lápis vermelho grosso. Os parágrafos, também, tinham que ser todos exatamente do mesmo tamanho. Alguns professores tinham o hábito de deixar dois dedinhos. Eu, porém, fazia riscar os parágrafos, a lápis, no caderno inteiro, da largura de uma régua de madeira. O efeito era lindo. Quando acabavam de copiar um texto, o alinhamento era perfeito. O traçado era imperceptível. Não preciso dizer que, quando os cadernos dos alunos eram vistados pela D. Maria, voltavam cheios de elogios.
Um dos cadernos que ela gostava muito de ver, chegando até a entrar na sala de aula para observar os alunos trabalhando, era o caderno de cartografia. Hoje, pegando os Cadernos de Treino da menininha Maria, entendo porque tamanho interesse. Ela, com certeza, lembrava o quanto aprendeu com sua professora, desenhando à mão livre, o Estado de São Paulo, o Brasil, a América do Sul, a Europa! Pasmem, tudo à mão livre.


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