Sempre gostei de
trabalhar com as quartas séries, alunos numa fase de transição, nem tão
crianças, nem tão pouco adolescentes. Tinha um jeito especial para lidar com
eles. Fazia tudo direcionado para a série seguinte, queria que eles chegassem
muito bem preparados, talvez, para evitar o mesmo trauma que sofri ao entrar no
ginásio, a inesquecível reprovação em massa. Tinha um excelente relacionamento
com os professores da quinta série. Conhecia o conteúdo que seria desenvolvido
no ano seguinte. Gostava de desafiar meus alunos com questões das séries
seguintes. Quando acertavam, ficavam felizes da vida. Muitas vezes, promovia
uma disputa de conhecimentos entre meninos e meninas. Ambos elaboravam questões
para saber quem sabia mais: meninos ou meninas. A disputa era acirrada.
Confesso que, muitas vezes, cheguei a assustá-los com tantas exigências. Fazia
questão de cadernos impecáveis. Tinha o hábito de exigir deles a separação de
um exercício do outro, com traço vermelho. Para isso era indispensável a régua
e o lápis vermelho grosso. Os parágrafos, também, tinham que ser todos exatamente
do mesmo tamanho. Alguns professores tinham o hábito de deixar dois dedinhos.
Eu, porém, fazia riscar os parágrafos, a lápis, no caderno inteiro, da largura
de uma régua de madeira. O efeito era lindo. Quando acabavam de copiar um
texto, o alinhamento era perfeito. O traçado era imperceptível. Não preciso
dizer que, quando os cadernos dos alunos eram vistados pela D. Maria, voltavam
cheios de elogios.
Um dos cadernos que
ela gostava muito de ver, chegando até a entrar na sala de aula para observar
os alunos trabalhando, era o caderno de cartografia. Hoje, pegando os Cadernos
de Treino da menininha Maria, entendo porque tamanho interesse. Ela, com
certeza, lembrava o quanto aprendeu com sua professora, desenhando à mão livre,
o Estado de São Paulo, o Brasil, a América do Sul, a Europa! Pasmem, tudo à mão
livre.

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