Todos nós conservamos indeléveis
as lembranças da nossa primeira morada e das nossas primeiras vivências.
Lembranças “equilibradoras” quando evocam clima de união incondicional e
quadros de deliciosa intimidade. A intimidade do lar não depende de conforto,
mas sim da certeza de ser amado, é filha do carinho. (Intimidade se traduz nas
conversas amigáveis entre os membros da família, é o filho contando o que
sente, os seus problemas, suas dúvidas).
A intimidade não teme ser
hospitaleira. As famílias fechadas asfixiam-se. Falta-lhes assunto vitalizador.
Só os generosos se desapropriam de si para abrigar os outros em seu afeto.
“Minha casa é a casa de todos,
dizia um chefe de família. Sempre há lugar para mais um”. Os pais que se dedicam
apenas aos seus filhos cultivam um egoísmo sutil.
Um sujeito mal humorado dizia: ”Eu
me considero um pai exemplar, vivo exclusivamente para minha mulher e meus
filhos, mas não consigo gratidão”. Minha casa vive vazia. Até minha mulher eu
preciso recolher, pois tem sempre uma amiga para visitar. Mal suspeitava o
coitado, que o hóspede à mesa é um enviado para dinamizar as virtudes
domésticas.
O convidado valoriza a casa
paterna, evidencia suas qualidades, exige da família comportamentos
requintados, esmerando-se cada um em delicadezas recíprocas, atenções e
generosidades. O hóspede é artesão de alegria e mensageiro de fraternidade. Não
podemos nos isolar, temos necessidade de ir à festas, de fazer visitas.
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