Certos educadores
apresentaram às turmas de escolares a seguinte pergunta: “Que pensam dos pais
que nunca ralham, nem batem, nem castigam?”
Sem hesitar,
responderam: “Não gostam dos filhos, não querem ser incomodados, não querem nos
ajudar, são moles.” Nem uma só criança reclamou de ser castigada.
As exigências devem
ser graduadas de acordo com a idade. Não se dá carne seca a um bebê de seis
meses. Nossas ordens também são frequentemente indigestas. Como pode, por
exemplo, um pequeno sentar à mesa, sem mexer, pegar, derramar e sujar?
A constância na
sanção evita o castigo. Os filhos de pais firmes nem tentam fazer certas artes,
porque sabem o que vão perder. O castigo justo é interpretado como uma prova de
amor, e o regime de impunidade, como prova de indiferença e fraqueza.
Uma menina de 9 anos,
sacudida violentamente pela mãe adotiva, sempre complacente, põe-se a sorrir. A
senhora se exaspera e grita: “Você não se incomoda, não é?” A pequena responde:
”Agora eu sei que você gosta de mim, como uma mãe de verdade.”
Os pais não devem se
dissociar dos filhos, isto é, manter-se à distância, quando ministram um
castigo. Quase sempre se colocam num pedestal, como inimigos terríveis e
fulminam seus raios. Os pais não podem ameaçar de diminuir o afeto, o interesse,
o carinho. O castigo será construtivo na medida em que provar a
incondicionalidade do amor. ”Eu não gosto de castigar, mas sou forçado a
fazê-lo, porque sou responsável pela sua educação. Vamos a um exemplo: ”Uma
jovem adolescente pede dinheiro ao pai para comprar uma toilete completa de
verão. Porém, gasta tudo com o vestido. Volta ao pai e pede mais dinheiro. O
pai nega, argumentando que ela devia ter feito um orçamento prévio. Orçamento?
O pai explica que faz isso, mensalmente, com a mãe. A moça tornou-se mais tarde
Assistente Social, e notável especialista em orçamento familiar.” Outro
exemplo: “Luís tinha 13 anos. Sentia-se abandonado pelo pai que estava sempre
em viagem e pôs-se a roubar porque se sentia roubada no afeto. Certo dia, Luís
tirou todo dinheiro do cofre da irmã. Quando a mãe soube, teve uma crise de
desespero. Meu filho um ladrão! Pediu ao marido que castigasse severamente o
filho. O pai leva o filho para o quarto e diz: O que você fez não está certo,
meu filho, não é verdade”? Você deve estar aborrecido consigo mesmo. Qual será
na sua opinião a melhor maneira de reparar esse prejuízo? Já sei, disse o
menino. Não irei com vocês à montanha, almoçar. Está bem, diz o pai. Ao falar
com a esposa, complica-se a situação, ela explode. O pai reconhece que o filho necessita
mais do que nunca de carinho, ar livre, intimidade com o pai. No dia seguinte,
propõe ao filho: Você tem de repor todo o dinheiro da sua irmã no cofre, não é
verdade? Que tal se ganhasse esse dinheiro? Ao invés de irmos de trem, nós dois
faremos a subida à pé, levando a bagagem nas costas. Eu lhe dou uma importância
por hora de marcha, que é o preço do trenzinho para nós dois. Suprimiremos o
almoço lá em cima, que é muito caro. Comeremos pão seco e chocolate. E com isso
você terá a quantia para repor no cofre de sua irmã. O menino ficou feliz com a
ideia do pai. E assim fizeram. Foram 4 horas de dura marcha, de conversa íntima
com o pai. Na hora do almoço, a mãe e a irmã resolveram aderir ao pão e
chocolate. Desistiram do restaurante. Foi um almoço delicioso, de reconciliação
geral.”
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