segunda-feira, 10 de novembro de 2014

BATER/RALHAR/CASTIGAR

Certos educadores apresentaram às turmas de escolares a seguinte pergunta: “Que pensam dos pais que nunca ralham, nem batem, nem castigam?”
Sem hesitar, responderam: “Não gostam dos filhos, não querem ser incomodados, não querem nos ajudar, são moles.” Nem uma só criança reclamou de ser castigada.
As exigências devem ser graduadas de acordo com a idade. Não se dá carne seca a um bebê de seis meses. Nossas ordens também são frequentemente indigestas. Como pode, por exemplo, um pequeno sentar à mesa, sem mexer, pegar, derramar e sujar?
A constância na sanção evita o castigo. Os filhos de pais firmes nem tentam fazer certas artes, porque sabem o que vão perder. O castigo justo é interpretado como uma prova de amor, e o regime de impunidade, como prova de indiferença e fraqueza.
Uma menina de 9 anos, sacudida violentamente pela mãe adotiva, sempre complacente, põe-se a sorrir. A senhora se exaspera e grita: “Você não se incomoda, não é?” A pequena responde: ”Agora eu sei que você gosta de mim, como uma mãe de verdade.” 
Os pais não devem se dissociar dos filhos, isto é, manter-se à distância, quando ministram um castigo. Quase sempre se colocam num pedestal, como inimigos terríveis e fulminam seus raios. Os pais não podem ameaçar de diminuir o afeto, o interesse, o carinho. O castigo será construtivo na medida em que provar a incondicionalidade do amor. ”Eu não gosto de castigar, mas sou forçado a fazê-lo, porque sou responsável pela sua educação. Vamos a um exemplo: ”Uma jovem adolescente pede dinheiro ao pai para comprar uma toilete completa de verão. Porém, gasta tudo com o vestido. Volta ao pai e pede mais dinheiro. O pai nega, argumentando que ela devia ter feito um orçamento prévio. Orçamento? O pai explica que faz isso, mensalmente, com a mãe. A moça tornou-se mais tarde Assistente Social, e notável especialista em orçamento familiar.” Outro exemplo: “Luís tinha 13 anos. Sentia-se abandonado pelo pai que estava sempre em viagem e pôs-se a roubar porque se sentia roubada no afeto. Certo dia, Luís tirou todo dinheiro do cofre da irmã. Quando a mãe soube, teve uma crise de desespero. Meu filho um ladrão! Pediu ao marido que castigasse severamente o filho. O pai leva o filho para o quarto e diz: O que você fez não está certo, meu filho, não é verdade”? Você deve estar aborrecido consigo mesmo. Qual será na sua opinião a melhor maneira de reparar esse prejuízo? Já sei, disse o menino. Não irei com vocês à montanha, almoçar. Está bem, diz o pai. Ao falar com a esposa, complica-se a situação, ela explode. O pai reconhece que o filho necessita mais do que nunca de carinho, ar livre, intimidade com o pai. No dia seguinte, propõe ao filho: Você tem de repor todo o dinheiro da sua irmã no cofre, não é verdade? Que tal se ganhasse esse dinheiro? Ao invés de irmos de trem, nós dois faremos a subida à pé, levando a bagagem nas costas. Eu lhe dou uma importância por hora de marcha, que é o preço do trenzinho para nós dois. Suprimiremos o almoço lá em cima, que é muito caro. Comeremos pão seco e chocolate. E com isso você terá a quantia para repor no cofre de sua irmã. O menino ficou feliz com a ideia do pai. E assim fizeram. Foram 4 horas de dura marcha, de conversa íntima com o pai. Na hora do almoço, a mãe e a irmã resolveram aderir ao pão e chocolate. Desistiram do restaurante. Foi um almoço delicioso, de reconciliação geral.”


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