Dona Maria era uma
pessoa muito culta. Gostava muito de ler e de presentear com livros. Remexendo
entre algumas coisas guardadas pela esposa do Elzinho, encontrei um caderno de
desenho, escrito com letra cursiva, que parece ser um resumo dos principais
tópicos de um livro. O mais interessante é que reconheci, naquelas anotações,
muitos ensinamentos passados a nós professoras, que contribuíram para a nossa
formação de educadoras. Por isso resolvi dividir com outros educadores essas
lições de sabedoria. Deixo a critério de cada leitor o discernimento: “Ainda
valem para os tempos atuais?”
As anotações começam
assim:
Nada mais fácil que
ter um filho.
Nada mais imperativo
que fazer dele um homem.
Nada mais difícil que
fazer dele um homem realizado em todos os planos.
A delinquência
infantil traduz uma carência trágica de influência moral dos pais sobre os
filhos.
A família, embora em
crise, detém nas mãos a maior soma de influência na formação da personalidade.
Recente pesquisa
americana revelou os seguintes dados: a mãe exerce cerca de 60% das influências
que vão determinar o comportamento adulto, o pai cerca de 15%, à escola cabem
apenas 10% e os restantes 15% distribuem-se pela TV, rádio, companheiros,
cinema, leituras, etc.
Quando a família
constitui um mundo ordenado e dirigido conscientemente para todos os planos,
para os valores reais, sua própria vida diária, espontânea e harmônica, é
aprendizagem integrativa que vai determinar na idade adulta, atuações
ponderadas e altruístas. Nesse sentido, a família é o berço da civilização de
um povo. A grandeza de um povo depende da solidez, da organização e da moral
familiar.
Educar é infundir
segurança, através de uma ação amorosa e firme, contínua e íntima. E segurança
só se infunde através do amor e a certeza de que somos amados.
O clima instável,
flutuando entre a ira e a meiguice, o esbanjamento e a avareza, a generosidade
e a indiferença, afasta pequenos e grandes.
O educador há de ser
soberanamente igual, há de possuir um humor sereno. Quando não possuímos o bom
humor natural e espontâneo, podemos criar uma alegria voluntária, premeditada,
persistente. E o mundo nem perceberá que a nossa alegria não era um dom
hereditário. A serenidade engendra a confiança mútua, capaz de equilibrar a
balança dos afetos familiares.
Nenhum comentário:
Postar um comentário