terça-feira, 4 de novembro de 2014

MARIA CONCEIÇÃO VIEGAS GARBINO - LEITORA POR EXCELÊNCIA

Dona Maria era uma pessoa muito culta. Gostava muito de ler e de presentear com livros. Remexendo entre algumas coisas guardadas pela esposa do Elzinho, encontrei um caderno de desenho, escrito com letra cursiva, que parece ser um resumo dos principais tópicos de um livro. O mais interessante é que reconheci, naquelas anotações, muitos ensinamentos passados a nós professoras, que contribuíram para a nossa formação de educadoras. Por isso resolvi dividir com outros educadores essas lições de sabedoria. Deixo a critério de cada leitor o discernimento: “Ainda valem para os tempos atuais?”
As anotações começam assim:

Nada mais fácil que ter um filho.

Nada mais imperativo que fazer dele um homem.

Nada mais difícil que fazer dele um homem realizado em todos os planos.

A delinquência infantil traduz uma carência trágica de influência moral dos pais sobre os filhos.

A família, embora em crise, detém nas mãos a maior soma de influência na formação da personalidade.

Recente pesquisa americana revelou os seguintes dados: a mãe exerce cerca de 60% das influências que vão determinar o comportamento adulto, o pai cerca de 15%, à escola cabem apenas 10% e os restantes 15% distribuem-se pela TV, rádio, companheiros, cinema, leituras, etc.

Quando a família constitui um mundo ordenado e dirigido conscientemente para todos os planos, para os valores reais, sua própria vida diária, espontânea e harmônica, é aprendizagem integrativa que vai determinar na idade adulta, atuações ponderadas e altruístas. Nesse sentido, a família é o berço da civilização de um povo. A grandeza de um povo depende da solidez, da organização e da moral familiar.

Educar é infundir segurança, através de uma ação amorosa e firme, contínua e íntima. E segurança só se infunde através do amor e a certeza de que somos amados.

O clima instável, flutuando entre a ira e a meiguice, o esbanjamento e a avareza, a generosidade e a indiferença, afasta pequenos e grandes.

O educador há de ser soberanamente igual, há de possuir um humor sereno. Quando não possuímos o bom humor natural e espontâneo, podemos criar uma alegria voluntária, premeditada, persistente. E o mundo nem perceberá que a nossa alegria não era um dom hereditário. A serenidade engendra a confiança mútua, capaz de equilibrar a balança dos afetos familiares.

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