D. Maria inicia
assim:
“Foi com grande
emoção e profundamente sensibilizada, que recebi o convite para paraninfar a 1º
turma que conclui o 1º grau neste estabelecimento.
Um gesto de simpatia
de meus queridos alunos, que muito honra a diretora desta escola, que teve o
privilégio de conhecê-los nestes anos de convivência, e que embora não muito
constante, concedeu-me o conhecer e apreciar a delicadeza de seus atos, a
sinceridade de suas palavras, a alegria de viver que irradia de seus corações,
tão natural nessa idade de vocês - a juventude - quando existe todo um florescer
de ideias e esperanças.
Meus queridos
afilhados, confesso com gratidão: os mestres se contagiam dessa exuberância de
vida, desse calor humano que os jovens comunicam.
No desejo de
dirigir-lhes a palavra neste dia festivo em que concluem o 1º grau, procurei
com especial carinho, perscrutar o meu coração de mestra e amiga para
transmitir-lhes uma mensagem que lhes pudesse ser útil, no momento maravilhoso
em que ingressam no grande concerto da vida, que é luta renhida, é combate, que
aos fracos abate e aos fortes só pode exaltar, nas palavras sábias do poeta
patrício, Gonçalves Dias.
A vida, meus jovens,
não é um acidente onde podemos conquistar com negligência ou irresponsável
liberdade, um objetivo qualquer. É, pelo contrário, uma obra contínua de
criação. A suprema criação de si mesmos, de sua personalidade, de seus valores
morais e espirituais. É tarefa árdua que não admite vacilações.
A mente dos jovens
pode ser comparada a uma oficina onde se realizam complicados processos. Nela
trabalha a imaginação que a semelhança de um arquiteto fantástico, constrói
complicados castelos aéreos, viaja a enormes distâncias, cria ideias, concebe
esperanças e faz perder um tempo valioso prendendo o jovem em seus sonhos. Não
se deixem enlevar pelo prazer que o exercício da imaginação proporciona, pois,
ele pode transformar-se em um hábito que os despojará de preciosos momentos,
dos quais necessitarão para edificar um futuro grandioso e feliz.
O tempo passa para
não voltar, estabeleçam-lhe, pois, ajustado cerco, para que não lhes escape,
privando-os da matéria prima com a qual devem edificar seu futuro. Uma boa maneira de aproveitar o tempo,
consiste em planejar as atividades no dia a dia, depois, é preciso
revestirem-se de toda força de vontade possível, para executar fielmente o
plano traçado, sem permitir que algum usurpador de tempo, os desvie da meta
fixada.
Experimentarão a
grande satisfação de serem pessoas organizadas, e colherão os frutos que o
aproveitamento do tempo e a firmeza de propósitos trazem. Não demorará que se
coloquem na dianteira dos colegas, a brilhar na escola em virtude dos seus
conhecimentos, e nas reuniões sociais pela agudeza da inteligência; e quando se
tornarem independentes e forem homens e mulheres de bem, olharão com satisfação
para os dias da juventude, cheios de luta, de esforços e planificações..
Sejam, pois,
perseverantes, persigam seus ideais. Sem a perseverança, muitos nomes ilustres
não teriam sido escritos nos anais, na história. Ela representa o esforço de
anos na realização de um sonho, dias e dias de fatigantes estudos, que provam a
fibra do acadêmico, lustros e lustros de trabalho na aquisição de um patrimônio.
Quando a escalada é
íngreme e outros desanimam, o perseverante, com os olhos fixos no alvo,
encontra reservas de um tesouro oculto, que é a sua vontade férrea.
Tem-se dito que a inconstância
é um dos pontos frágeis da maioria da juventude. Esta, geralmente, qual
borboleta saltita em várias direções, quando se trata das realidades da vida. Sem
uma definição, sem saber propriamente o que quer, a mocidade vacila e arfa como
as ondas do mar.
Se por um lado o
mundo hodierno está repleto de frivolidades, atraindo ao terreno encantado do
materialismo destruidor, por outro, jamais esteve tão rico de oportunidades
para um seguro preparo da vida. Em toda parte estão abertos os ensejos para a
mocidade se preparar. E é esse preparo, apoiado pela ação, pela iniciativa,
pelo trabalho perseverante, que leva a mocidade ao verdadeiro triunfo.
Aproveitem, queridos
afilhados, as oportunidades que a vida lhes oferece e estarão cumprindo o seu
dever. A vida impõe a cada um de nós, a obrigação de proporcionar maiores
oportunidades aos nossos descendentes do que as recebidas de nossos
antepassados. Essa é a lei do progresso e nossa dívida para com a sociedade.
Os que oferecem menos
oportunidades de desenvolvimento aos seus descendentes ou iguais as que
receberam, estão em falta com a vida. Nossos avós puseram os nossos pais em
melhor situação do que a sua própria e nossos pais nos proporcionaram maiores
oportunidades do que as que receberam, e nós temos a dívida moral de dar mais
aos nossos filhos, pois o progresso da civilização assim o exige. E por isso é
necessário que não ponham um ponto final nos seus estudos com a conclusão do 1º
grau; prossigam a jornada escolar até o curso superior, se possível, para
poderem enfrentar com serenidade o julgamento de seus filhos, sobre o que lhes
legarem".
Finalizando,
deixo-lhes mais uma exortação, para que sejam bem sucedidos:
“Tenham sempre os
olhos fixos numa estrela brilhante, essa estrela deve ser a crença inabalável
de que cada um de nós tem uma missão a cumprir, e deve realizá-la dando o
melhor de si, para sua própria edificação, para a felicidade dos que ama, para
a grandeza da Pátria e glória de Deus".
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