quinta-feira, 13 de novembro de 2014

TRECHOS DE UM DISCURSO DE FORMATURA

D. Maria inicia assim:
“Foi com grande emoção e profundamente sensibilizada, que recebi o convite para paraninfar a 1º turma que conclui o 1º grau neste estabelecimento.
Um gesto de simpatia de meus queridos alunos, que muito honra a diretora desta escola, que teve o privilégio de conhecê-los nestes anos de convivência, e que embora não muito constante, concedeu-me o conhecer e apreciar a delicadeza de seus atos, a sinceridade de suas palavras, a alegria de viver que irradia de seus corações, tão natural nessa idade de vocês - a juventude - quando existe todo um florescer de ideias e esperanças.
Meus queridos afilhados, confesso com gratidão: os mestres se contagiam dessa exuberância de vida, desse calor humano que os jovens comunicam.
No desejo de dirigir-lhes a palavra neste dia festivo em que concluem o 1º grau, procurei com especial carinho, perscrutar o meu coração de mestra e amiga para transmitir-lhes uma mensagem que lhes pudesse ser útil, no momento maravilhoso em que ingressam no grande concerto da vida, que é luta renhida, é combate, que aos fracos abate e aos fortes só pode exaltar, nas palavras sábias do poeta patrício, Gonçalves Dias.
A vida, meus jovens, não é um acidente onde podemos conquistar com negligência ou irresponsável liberdade, um objetivo qualquer. É, pelo contrário, uma obra contínua de criação. A suprema criação de si mesmos, de sua personalidade, de seus valores morais e espirituais. É tarefa árdua que não admite vacilações.
A mente dos jovens pode ser comparada a uma oficina onde se realizam complicados processos. Nela trabalha a imaginação que a semelhança de um arquiteto fantástico, constrói complicados castelos aéreos, viaja a enormes distâncias, cria ideias, concebe esperanças e faz perder um tempo valioso prendendo o jovem em seus sonhos. Não se deixem enlevar pelo prazer que o exercício da imaginação proporciona, pois, ele pode transformar-se em um hábito que os despojará de preciosos momentos, dos quais necessitarão para edificar um futuro grandioso e feliz.
O tempo passa para não voltar, estabeleçam-lhe, pois, ajustado cerco, para que não lhes escape, privando-os da matéria prima com a qual devem edificar seu futuro.  Uma boa maneira de aproveitar o tempo, consiste em planejar as atividades no dia a dia, depois, é preciso revestirem-se de toda força de vontade possível, para executar fielmente o plano traçado, sem permitir que algum usurpador de tempo, os desvie da meta fixada.
Experimentarão a grande satisfação de serem pessoas organizadas, e colherão os frutos que o aproveitamento do tempo e a firmeza de propósitos trazem. Não demorará que se coloquem na dianteira dos colegas, a brilhar na escola em virtude dos seus conhecimentos, e nas reuniões sociais pela agudeza da inteligência; e quando se tornarem independentes e forem homens e mulheres de bem, olharão com satisfação para os dias da juventude, cheios de luta, de esforços e planificações..
Sejam, pois, perseverantes, persigam seus ideais. Sem a perseverança, muitos nomes ilustres não teriam sido escritos nos anais, na história. Ela representa o esforço de anos na realização de um sonho, dias e dias de fatigantes estudos, que provam a fibra do acadêmico, lustros e lustros de trabalho na aquisição de um patrimônio.
Quando a escalada é íngreme e outros desanimam, o perseverante, com os olhos fixos no alvo, encontra reservas de um tesouro oculto, que é a sua vontade férrea.
Tem-se dito que a inconstância é um dos pontos frágeis da maioria da juventude. Esta, geralmente, qual borboleta saltita em várias direções, quando se trata das realidades da vida. Sem uma definição, sem saber propriamente o que quer, a mocidade vacila e arfa como as ondas do mar.
Se por um lado o mundo hodierno está repleto de frivolidades, atraindo ao terreno encantado do materialismo destruidor, por outro, jamais esteve tão rico de oportunidades para um seguro preparo da vida. Em toda parte estão abertos os ensejos para a mocidade se preparar. E é esse preparo, apoiado pela ação, pela iniciativa, pelo trabalho perseverante, que leva a mocidade ao verdadeiro triunfo.
Aproveitem, queridos afilhados, as oportunidades que a vida lhes oferece e estarão cumprindo o seu dever. A vida impõe a cada um de nós, a obrigação de proporcionar maiores oportunidades aos nossos descendentes do que as recebidas de nossos antepassados. Essa é a lei do progresso e nossa dívida para com a sociedade.
Os que oferecem menos oportunidades de desenvolvimento aos seus descendentes ou iguais as que receberam, estão em falta com a vida. Nossos avós puseram os nossos pais em melhor situação do que a sua própria e nossos pais nos proporcionaram maiores oportunidades do que as que receberam, e nós temos a dívida moral de dar mais aos nossos filhos, pois o progresso da civilização assim o exige. E por isso é necessário que não ponham um ponto final nos seus estudos com a conclusão do 1º grau; prossigam a jornada escolar até o curso superior, se possível, para poderem enfrentar com serenidade o julgamento de seus filhos, sobre o que lhes legarem".
Finalizando, deixo-lhes mais uma exortação, para que sejam bem sucedidos:

“Tenham sempre os olhos fixos numa estrela brilhante, essa estrela deve ser a crença inabalável de que cada um de nós tem uma missão a cumprir, e deve realizá-la dando o melhor de si, para sua própria edificação, para a felicidade dos que ama, para a grandeza da Pátria e glória de Deus".

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