quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Professores Inesquecíveis

Hoje quero homenagear três grandes professores: Seu Marcelino, Dona Vera e Dona Nilza.
Seu Marcelino, já bastante idoso, prestes a se aposentar, foi quem nos iniciou no Latim. Era Pai de nossa professora do curso de admissão ao ginásio. Morava próximo de minha avó Carmela, por isso conhecia bem sua família. Não lembro o nome de sua esposa, mas Edna e Elisa eram os nomes de suas filhas. Edna foi embora de Lençóis, mas Elisa mora aqui. Seu Marcelino, muito amoroso conosco, não conseguiu colocar em nossas cabeças o tal do Latim. Creio que foi uma das matérias na qual fiquei retida. Seu Marcelino bem que tentou, mas quem conseguiu foi o Professor Célio Pinheiro no ano seguinte.
Dona Vera, Professora de Português, merece um livro, não um simples comentário. Ela foi amada e odiada ao mesmo tempo. Vou explicar o porquê. Era competentíssima e muito exigente. Suas aulas nos transportavam para situações nunca vivenciadas antes. Ocupava a lousa como ninguém. Tudo partia de um texto de um autor famoso. Expunha a vida do mesmo como se tivesse vivido na mesma época. Dali, para a gramática aplicada ao texto, era muito fácil para ela. Nossos cadernos não tinham pé, nem cabeça, tamanha era a quantidade de ensinamentos que passava. A lousa ficava cheia, não da forma convencional, parecia que queria dar forma a tudo que falava. Eram rabiscos, breves anotações, setas, etc. Sem falar das redações que corrigia com caneta vermelha. Tive oportunidade de ir várias vezes em sua casa. Sempre a encontrava mergulhada na correção das redações. Foi com a Dona Vera que comecei a entender e gostar de Português. Atribuo a ela, também, o gosto despertado em mim pelo Latim. Amada e odiada. Por quê? Porque muitos alunos não conseguiam atingir o nível de aprendizagem que ela queria e, por décimos, repetiam o ano. Muitas vezes ficavam só em Português, mas tinham que fazer todas as matérias. VERA  BRAGA FRANCO GIACOMINI é nome de uma escola em Lençóis Paulista, no Bairro Cecap. Homenagem justa e merecida.
Dona Nilza, Professora de Francês, também veio de fora para dar aula no Virgílio Capoani. Seu marido era Professor de Educação Física. Moravam em uma casa em frente à escola. Além das aulas normais, duas vezes por semana, Dona Nilza se dedicava ao Clube de Francês. Era uma atividade extraclasse para os alunos que queriam aprender  além do que era dado em sala de aula. Dona Nilza era muito simpática e aprender francês com ela era muito legal. Aprendemos a rezar a Ave Maria, o Pai Nosso. Frére Jaques, acalanto, era  cantado em dois grupos. Também sabíamos entoar a Marselhesa, Hino Oficial da França. Eram momentos muito agradáveis de convivência com a professora. Dona Nilza ficou no meu coração,  assim como o francês. Na minha lembrança ficaram as cenas bucólicas descritas no livro de textos em francês. Parece que sinto as folhas dos plátanos caídas no chão no outono. Não tive dificuldade para aprender o Francês.
Seu Marcelino, Dona Vera e Dona Nilza são professores que me marcaram muito. Minha eterna gratidão.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Lembranças

Quando fiz a primeira série, a maioria dos meus professores vinha de fora, poucos moravam aqui. Todos deixaram lembranças que guardo com muito carinho. Eu gostava muito do seu João, professor de matemática. Era de São Manuel. Certa vez, lançou um desafio. Era um problema de raciocínio. Foi chamando os alunos pela ordem de chamada para ver quem daria a solução. Rodou a classe toda e eu torcendo para chegar a minha vez. Que glória! Eu fui para a lousa e resolvi o mesmo. Era um problema baseado em uma das propriedades da subtração. Seu João era legal. Aluno distraído era alvo certo de sua pontaria com tocos de giz. Gostava de pescar e vinha sempre na fábrica de farinha do meu pai comprar quirela para usar como isca. Tenho certeza que não foi a matemática que me reprovou na primeira série. Eu sempre gostei muito da matéria.
Dona Edméia, professora de Educação Física, também era de São Manuel. Baixinha, gordinha, impecável no seu uniforme branco, era a responsável por todas as apresentações do Virgílio Capoani na cidade e fora. Na época do ginásio, apresentamos muitas demonstrações de Educação Física. Os desfiles cívicos eram maravilhosos. Lembro que o branco era a cor que predominava nos uniformes. Branco da cabeça aos pés. Havia uma recomendação especial, nada de pulseira, relógio ou qualquer outro adorno. Tínhamos muito orgulho de passar desfilando pela Rua 15 de Novembro. Passar pelo palanque das autoridades, ser aplaudido pela multidão, enchia o nosso coração de alegria. Quantas vezes nosso time de voleibol foi jogar em São Manuel, sua cidade. Dona Edméia amava o que fazia e nós correspondíamos.
Dona Julieta, Professora de Trabalhos Manuais, vinha de Botucatu. Desconheço outra professora que seja tão prendada nas artes manuais quanto ela. Foi a verdadeira mãe em sala de aula. Era alta, magra, de traços delicados, impecavelmente vestida, cabelos sempre bem cuidados e penteados, unhas bem feitas, tudo nela era gracioso. Tinha mãos de fada. Com muito carinho e sabedoria, nos ensinou a arte de ser uma mulher prendada. Quem passou pelas suas mãos, aprendeu desde pregar botão, até fazer aplicação em ponto paris, tricô, crochê, frivolité, nhanduti, richelieu, rendas, macramê, ponto cruz, ponto cheio e muitas coisas mais. Enquanto ensinava, conversava, e muitas noções introduzia.
De Agudos, vieram dois professores, Seu Santana, de Geografia, e Seu Osvaldo, de História. Seu Santana era uma figura paternal. Muito amoroso, calmo, enchia a lousa de gráficos. Eu não estava amadurecida para assimilar todo aquele conteúdo da primeira série do ginásio. Lembro-me de Nicolau Copérnico, do Sistema Solar, dos Planetas, das Eclipses, da  figura do professor carinhoso, que respeitava as nossas limitações. Ele eu abraçaria como um pai.
Seu Osvaldo, Professor de História, alto, magro, sério, era o oposto do Seu Santana. Nenhum professor de História conseguiu a façanha de me fazer gostar da matéria. Não sei de onde vem tamanha aversão. Nunca entendi a tal linha do tempo. Primeiro nos ensinaram a História do Brasil, depois a Historia Geral, mas afinal de contas, o que vem antes, o que vem depois? Tudo foi ensinado muito fragmentado e o rolo foi aumentando com o passar do tempo. Sem falar que muitas vezes o conteúdo não era vencido.
Apesar de tudo, meus professores marcaram positivamente a minha vida. Sou grata a todos. Esta é uma página longa. Quero escrevê-la sem pressa. Até!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A maior bomba da minha vida

Prestamos o exame de admissão e, aprovados, fomos para o ginásio. Escola nova, professores novos, tudo muito diferente do grupo escolar. De crianças, passamos a ser chamados de adolescentes e, como tal, tratados. O maior impacto foi o número de professores e suas respectivas matérias. Não tínhamos mais um professor, mas vários. O ”meu professor” foi  substituído por “nossos professores”.
A grande quantidade de matérias nos deixava atônitos. Eram aulas de Matemática, Português, Latim, Francês, História do Brasil, Geografia, Ciências, Música, Trabalhos Manuais, Desenho e  Educação Física. Era um esquema completamente novo. Tivemos que nos adaptar a uma nova rotina de estudos, com horários pré-estabelecidos, e ter a nossa volta, além dos  professores, inspetor de alunos, orientador educacional, diretor, etc. 
Éramos mais de trinta alunos na classe. Como meu nome começa com z, sempre fui a última da chamada. Isso não era legal. Nas chamadas orais, o professor sempre escolhia o primeiro ou o último número, por isso era preciso ter sempre a matéria em ordem, para não ficar com ponto negativo. 
Outra coisa que ficou na minha lembrança, foi o controle de frequência. Cada aluno tinha a sua carteira de estudante. Na porta de cada sala, havia uma caixinha, onde depositávamos a mesma logo na entrada. O inspetor de alunos recolhia, diariamente, e carimbava a presença. Nela eram lançadas também as notas e outras observações. O momento mais temido era a entrega dos boletins pela Orientadora Educacional. Ela se posicionava na frente da classe e chamava um por um, fazendo as devidas observações sobre aproveitamento, frequência, etc. A avaliação era rigorosa. Além das provas escritas, havia as orais. No final do ano, exames escritos e orais, e a famosa segunda época para os alunos que não haviam alcançado média em duas matérias. Última chance de ser promovido.
O ano de 1956 chegou ao fim. Não foi fácil. Fomos bem sucedidos em algumas matérias, mas em outras, foi um desastre. A classe inteira foi reprovada, com exceção de duas alunas, uma delas, a Ana Maria Azevedo, a Aninha, que tive a alegria de rever no Dia do Reencontro. 
Guardo lembranças lindas e preciosas de meus professores da primeira série do ginásio. É sobre eles que vou falar na próxima postagem. 

sábado, 2 de agosto de 2014

FESTA NO CÉU

Último dia do mês, 31 de julho, e a notícia do falecimento da tia “Marica”, como carinhosamente era chamada, começou a correr a cidade. Foi logo de manhã. O telefone não parava de tocar, tanto para dar a notícia, como para ratificar o fato. De manhã, fico com minha neta Ana Luiza. Como dar a ela a notícia do falecimento da tia Marica? Ela já sabia que ela estava muito velhinha e doente. Foi, então, que falei claramente que ela havia morrido, mas que não ficasse triste, pois o céu estava em festa, a vovó Elisa estava lá e todos os seus irmãos já falecidos também. Era uma família se encontrando agora para sempre, na eternidade. Tia Marica entrou no meu blog porque foi alguém que marcou positivamente sua passagem nesta vida!
Tia Marica era muito conhecida pela sua alegria de viver e sua disposição ao ajudar nas festas beneficentes. Apesar de sua idade avançada, era a primeira a chegar e a última a sair. Enquanto pôde, trabalhou na barraca do Lar das Crianças na Facilpa. O seu aniversário coincidia com o período da festa, portanto, sempre ganhava um bolinho para comemorar. Neste ano, no dia 3 de maio, Tia Marica completou 97 anos. Viveu quase um século. Fez tudo que teve vontade. Um de seus sonhos era conhecer o Rio de Janeiro. E não é que realizou?  Como isso aconteceu? Vou contar. Toda vida morei perto da Tia Marica e estudei com a sua filha Maria Aparecida. Éramos amigas, companheiras de todas as horas. Quando estávamos no ginásio, saíamos correndo na hora do recreio, para buscar a famosa latinha de pirulitos que tia Marica fazia para a Maria Aparecida vender. Não sobrava nenhum. Eram disputadíssimos. Foi graças a essa habilidade que ela foi parar no Rio de Janeiro. A famosa Ana Maria Braga disse uma vez que tinha muita vontade de descobrir quem sabia fazer os pirulitos que chupava quando criança. Não deu outra. Descobriu a “Alice do Gildo” que é hábil na arte. O programa Mais Você veio para Lençóis, fez as gravações e conheceu a tia Marica, pioneira na fabricação dos pirulitos. Ao entrevistá-la, descobriu uma outra habilidade da Tia Marica e de sua irmã, Tia Ines, pamonha. O pessoal da Globo ficou encantado com a dupla. Fabrício, o repórter, adotou a tia Marica como “vó”. Foi uma festa aqui no pedaço no dia da gravação. O programa foi ao ar. Tia Marica tornou-se “global”. Durante a gravação, manifestou o desejo de conhecer o Rio de Janeiro, o Cristo Redentor. A Rede Globo realizou o seu sonho. A dupla foi, com direito a viagem de avião, hospedagem, passeio pela praia, visita ao Cristo Redentor, sem falar da participação ao vivo no Programa Mais Você! O programa pode ser visto ainda hoje. Basta acessar o link.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Feliz Iniciativa a do Primeiro Encontro da Esperança

Formar a comissão, programar as reuniões, discutir a programação, partir para a concretização das ideias, não levou muito tempo. Seu Geraldo sabia exatamente o que queria e sob a sua batuta, as coisas foram tomando corpo, pois ele não queria que as coisas esfriassem. Queria muito que fosse um encontro alegre, como os realizados anualmente como diretor, e que homenagens fossem prestadas a algumas pessoas que, de uma forma ou de outra, se destacaram no cenário do município. Inicialmente, expôs suas ideias para a comissão e, daí para a realização, foi muito rápido. Incansavelmente fez um corpo a corpo digno de um atleta. Não demorou nada e fomos surpreendidos com o convite para a tão sonhada noite, que ficaria marcada como o PRIMEIRO ENCONTRO DA ESPERANÇA.
O local não poderia ser mais apropriado: o galpão do nosso querido grupo escolar. Lá estava o nosso anfitrião todo feliz aguardando os convidados, como se fosse mais um evento dentro do calendário escolar, como se o tempo não tivesse passado. Sua emoção era indescritível. Não sei como descrever tudo que ocorreu. A chegada de cada convidado era uma festa. Abraços, beijos, apertos de mão, um clima muito agradável. Quando a solenidade teve início, nosso coração bateu mais forte ao entoarmos o Hino Nacional Brasileiro e o Hino de Lençóis Paulista. Um dos momentos mais marcantes foi a entrega de medalhas para pessoas que contribuíram com seu trabalho enaltecendo o município. Alguns na saudade, outros presentes!
Dias depois,  Seu Geraldo teve a gentileza de trazer para eu ver, o álbum que fez para documentar o PRIMEIRO ENCONTRO DA ESPERANÇA. Parabéns, Seu Geraldo! Em nome de todos os professores, quero agradecer a medalha que honrosamente recebi representando a nossa classe. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Valeu, Seu Geraldo!

Logo após as festividades do Dia do Reencontro, tão brilhantemente amarradas às comemorações do Centenário do Esperança de Oliveira, fui convidada pelo ex Diretor do mesmo, Seu Geraldo, para fazer parte de uma comissão, cujo objetivo era promover uma confraternização com todos os professores e funcionários de sua época. Fiquei lisonjeada com o convite. Seu Geraldo estava muito motivado e tocado com tudo que aconteceu naquele 12 de Abril. No seu coração ficou um desejo de quero mais. E assim foi. Firme no seu propósito, formou a comissão, arregaçou as mangas e tornou realidade o seu desejo de externar a todos que trabalharam com ele a sua gratidão.
Seu Geraldo, para quem não sabe, é natural de Santo Anastácio. Assumiu a direção do Esperança de Oliveira em 1.989. Por longos anos se dedicou à Educação em Lençóis Paulista. Tudo que fez, fez com muito amor. Uma coisa que ficou na minha lembrança foi o desejo de um dia ter tudo informatizado na escola e, a um simples toque, trazer na tela do computador a vida escolar de cada aluno. Como seria útil quando tivesse a visita de um pai!
Outra lembrança viva na minha memória é o cuidado que ele sempre teve com o patrimônio. A ele devemos a preservação de tudo que compõe a história do nosso grupo escolar: livros de chamada, matrícula, atas de exame, termos de visita, livro ponto, etc. O mesmo cuidado dispensou a tudo relacionado com o passado: relógios de sala de aula, o famoso sino, a mesa do diretor, quadros, fotos, etc.
O porão do nosso querido grupo, tão temido por nós quando crianças, guardou o acervo que fez a delícia dos que estiveram presentes no dia 12 de Abril. A mãozinha do diretor estava por trás de quase tudo. Tive a oportunidade de sentir a emoção das pessoas que visitaram a nossa escola. Todas queriam se pronunciar falando de suas lembranças. 
O Primeiro Encontro Da Esperança, como foi batizado pelo seu Geraldo, traduz bem o desejo de continuidade, fortalecendo ainda mais os laços de amizade e companheirismo que se consolidaram ao longo de anos de trabalho pela educação. Que seja, realmente, o primeiro de muitos. Valeu, Seu Geraldo! 


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sempre é tempo!

A comemoração do centenário do Esperança de Oliveira foi tão significativa, mexeu tanto com nossas emoções, que ainda hoje tenho vontade de  relembrar e escrever algumas coisas. A exposição preparada com tanto carinho tocou tão fundo, que nos quatro dias que permaneceu, atraiu muita gente. As pessoas queriam se deter mais em cada sala. Fotos, objetos, documentos, livros não eram apenas para serem vistos. As pessoas sentiam necessidade de contar suas histórias. Era como se tivessem entrado no túnel do tempo, exatamente como eu me senti ao iniciar esse blog. As lembranças eram vivas!
Hoje quero falar um pouco do professor Esperança de Oliveira. Sua biografia estava ao lado de sua fotografia, porém, o tempo e a grande massa de pessoas querendo adentrar no prédio impossibilitaram sua leitura. Vale a pena conhecer sua vida.
“Antonio Esperança de Oliveira” nasceu em Itapetininga, no dia 13 de junho de 1878. 
 Na época de seus estudos, trabalhava como alfaiate, mas tinha também dom para a música: foi cantor e compositor.
Formou-se professor em dezembro de 1902 e chegou em Lençóis Paulista dois anos depois, para atuar como professor da segunda escola masculina.
Depois, foi nomeado diretor adjunto do Grupo Escolar, função que exerceu no município até 1921. Dinâmico, foi um cidadão que se envolveu muito com os assuntos da comunidade e exerceu influências em outras áreas da cidade,  como esporte, teatro amador e política. Há registros de que no ano de 1907, por exemplo, organizou uma Legião Mirim com a participação de cerca de 30 integrantes.
Antonio Esperança de Oliveira faleceu na cidade de São Paulo em 4 de setembro de 1932, então, incorporado ao Batalhão de Voluntários de Professores durante a Revolução Constitucionalista. Deixou a esposa Ester Teixeira, professora adjunta do Primeiro Grupo Escolar de Bauru, e uma filha menor.
Dez anos mais tarde, em fevereiro de 1942, o Governo do Estado homenageou o professor, dando o seu nome ao Grupo Escolar de Lençóis Paulista.
O nome do Professor Esperança de Oliveira estará, portanto, para sempre  amarrado à história das pessoas que fizeram a história que reverenciamos hoje!