quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Lembranças de Primeira Comunhão

Guardo com carinho lembranças de Primeira Comunhão de alunos do Malatrazi, dadas como recordação.
Escolhi os dizeres de uma delas para transcrever:
“Felizes somos nós os convidados para a ceia do Senhor”.

                                                  Liturgia Eucarística
Eu,  Edilene Maria Doretto,
No dia 28/10/1.984
Na comunidade São Benedito, Vila Mamedina
Recebi Jesus na Eucaristia pela primeira vez.

Obrigado a você que participou comigo desta celebração. Agradeça a Deus, comigo, para que sejamos fiéis a Ele por toda a vida.

As outras lembranças são dos alunos: Cassiana Regina dos Santos, Rossana Oliveira e Souza, Petra Mittelbach, Eliane da Silva Ramos, Glauco Temer Feres.





Do ano seguinte, guardo as lembranças de: Fabíula Regina Ferreira Vacchi, Lisângela Maria Boso, Cláudia, Telma Regina Barbosa.( 17/11/1.985) 


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

DE 1.977 a 1.985: 12 ANOS DE MALATRAZI

Este foi o espaço de tempo que trabalhei na E.E.P.G. do Parque Residencial São José, pois foi com esse nome que foi criada a atual Escola Malatrazi.
Quem conhece o Tony Martins, sabe que ele tem uma memória incrível. Toda vez que vou cortar o meu cabelo, não perde oportunidade de comentar sobre o meu blog. Nossas vidas se cruzaram em momentos muito especiais, tanto no Paulo Zillo, como no Malatrazi. Da última vez que estive com ele, o assunto foi o lançamento da Pedra Fundamental da Igreja de São José e a Inauguração da Escola do Parque Residencial São José. Bem, o que uma coisa tem a ver com a outra? Simplesmente aconteceram no início do ano de 1.977. A devoção a São José é tão antiga em Lençóis, e tão popular, quanto o nosso querido Padre Salústio. Devotíssimo de São José, realizava todo ano, no mês de março, a novena ao santo. O povo prestigiava os nove dias de oração. Nessa época, as missas eram celebradas às seis horas da manhã. A Igreja lotava. As congregações marcavam presença. Padre Salústio era festeiro. Tudo era muito grande na sua época, principalmente, as festas religiosas. Sua personalidade marcou os católicos da época. Os mais velhos lembram com saudades, os mais novos, apenas sabem que Padre Salústio é o nome de uma avenida da cidade. Pois bem, muitos padres marcaram sua passagem por Lençóis, até que chegou o Padre João Novaes. Como o Padre Salústio, permaneceu em Lençóis por muitos anos. Tive oportunidade de ajudá-lo em muitas ocasiões, principalmente, na campanha pelas missões no mês de outubro. Na época do Padre João Novaes, não havia ainda um trabalho tão bem estruturado de pastorais, mesmo assim havia muitos colaboradores. Sempre gostei de ser comentarista, de proclamar a palavra. Sempre servi e auxiliei. Mas voltando ao Padre João Novaes, devemos a ele, a construção de uma capela em honra a São José, na Vila Ubirama, cuja pedra fundamental foi lançada no mês de março de 1.977, mesmo ano da criação da E.E.P.G. Antonieta Grassi Malatrazi, na gestão do prefeito Ézio Paccola. Tony descreve nos mínimos detalhes o lançamento da pedra fundamental da capela, bem como a inauguração da escola. Lembra-se das autoridades presentes, da banda, dos discursos, das bandeiras, etc. Lembra-se também do trabalho que deu para deixar a nova escola pronta para a inauguração. Segundo ele, o Diretor Edo Jesus Coneglian, com a ajuda dos próprios alunos, ia recebendo o novo mobiliário, desembalando e arrumando nas salas de aula, para que tudo ficasse pronto a tempo. Foi uma correria, mas deu tudo certo. Só depois de tudo isso, nos mudamos do Garrido, onde estivemos provisoriamente instalados. Tudo aconteceu no mês de março de 1.977. No mês de abril, participamos com muito orgulho do desfile de aniversário da cidade, representando orgulhosamente a E.E.P.G. do Parque Residencial São José. Tantos anos se passaram. Seria muito importante, entre tantos eventos que acontecem durante o ano, incluir no Calendário Escolar, a comemoração do aniversário da escola e sua história. Fica a sugestão. 

DÉBORAH

Nome forte, nome bíblico, jamais esqueceria as alunas que passaram pelas minhas mãos, registradas com esse nome. Vamos começar pela Déborah, filha da Inah Lúcia, irmã do nosso querido amigo Procópio e do Antonio Carlos.  Dos três irmãos, apenas o Procópio criou raízes em Lençóis. Antonio Carlos e Inah foram para o Paraná. Casaram-se, como não poderia deixar de ser, com lençoenses (Giofrê e Serralvo). Antonio Carlos e Inah têm raízes aqui e sempre voltam para rever o irmão e outros parentes que aqui deixaram. Quando tenho oportunidade de conversar com seus familiares, sempre peço notícias. Déborah, de quem estamos falando, não é mais uma menininha. Os anos foram  passando. A menina seguiu sua vida. Hoje, com certeza, está casada e realizada profissionalmente, pois era uma excelente aluna. Um traço marcante em Débora era a sua meiguice. Nestes últimos tempos, tenho me detido na organização de cartas, cartões, bilhetes, santinhos, que recebi ao longo de meus quase trinta anos de magistério, tentando agrupá-los por escola. Foi fazendo isso, que encontrei uma cartinha da Débora, expressando o seu carinho por mim. De um lado, a cartinha, e do outro, um poema que vou transcrever:

SENHOR, SEREI PONTE
Olho a ponte
Escuto a linguagem da ponte
Sou forte, muito forte!...
Resisto a tudo!...
Permaneço estática.
Persevero no meu posto!...
Nasci para unir.
Senhor,...
Quero ser ponte também
Serei ponte para os corações chegarem a ti

Ser ponte!...
Unir a terra aos céus
Unir pessoas entre si
Unir os desunidos
Unir os desencontrados
Unir os corações
Sim!...
Senhor!...
Serei ponte!

Com certeza, não foi de qualquer lugar que Déborah copiou este poema. Tendo os avós que teve e os pais que tem, boas mensagens é que não faltavam. Tudo é artesanal no cartão feito por suas mãozinhas de criança. Um pedaço de cartolina cor de rosa, duas folhas de papel de carta, um pouco de cola e o desejo de homenagear a professora. Lembranças como essa jamais irão para a lata do lixo. São pontes que me levam para o passado e me enchem de saudade. Das outras Déborahs, falarei no momento oportuno. Em tempo, Déborah foi minha aluna no Dr. Paulo Zillo, no ano de 1.973. Os alunos tinham por hábito, nas festinhas de final de ano, fazer  cartõezinhos para os professores, desejando Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Esta cartinha data de 12 de dezembro de 1.973.



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

PRIMEIRA EUCARISTIA

É muito lindo folhear o Álbum, que cada um dos meus filhos tem, da Primeira Eucaristia. Hoje estou com o do Evandro em minhas mãos. Logo nas primeiras páginas aparecem os dizeres: ”Respondendo ao convite de Jesus, eu, Evandro Luís Radichi, participei da Eucaristia pela primeira vez, no dia 09 de novembro de 1.985, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Piedade. Recebi das mãos do Padre Serafim Petroski. Em seguida, uma foto muito linda do Evandro e de sua catequista, Dona Adélia Segalla Lorenzetti. Tinha o hábito de registrar tudo que acontecia no dia, como pessoas que estiveram presentes, presentes recebidos, e também colar no próprio álbum as lembrancinhas de Primeira Comunhão. Quase todos os pais se preocupavam com isto. É uma tradição que permanece. Terminada a missa, as crianças gostam de distribuir as lembranças. Lembro-me de que as do Evandro vieram da Aparecida do Norte, assim como seu álbum. Registrado no álbum, encontram-se alguns nomes de coleguinhas que fizeram a primeira comunhão no mesmo dia: Leandro Moretto, Sandro de Almeida Salles, Marcelo Ricardo Paccola, Fernanda Minetto, Ricardo José Boso, Daniel Galiano Ortiz, André Paccola Sasso, André Luís Caciolari e outros mais. No mesmo álbum tive o cuidado de colar as respectivas lembrancinhas. Assim, como pais responsáveis, íamos registrando todos os passos na formação de nossos filhos: nascimento, Batizado, Primeira Eucaristia, Crisma, Casamento, nascimento dos netos, enfim, o ciclo da vida. Evandro entrou nesta página porque marcou o período que fechei no Malatrazi, embora eu tenha muito para falar ainda desta escola.





domingo, 15 de fevereiro de 2015

Mãe e Professora

Quem passou pela experiência de ser aluno da própria mãe, sabe que não é uma experiência muito agradável, principalmente, quando  se espera desfrutar de alguns privilégios. Além de ser professora de dois dos meus filhos, fui professora de um irmão. Este irmão havia frequentado uma escola rural, em uma fazenda que pertencia ao distrito de Domélia. Meus pais moraram alguns anos ali e quando o Sidney chegou na idade de ser alfabetizado, frequentou a escola que funcionava ali. Meus pais iam e voltavam todo final de semana. Na época, iam até Agudos, e por estrada de terra seguiam até a fazenda, que ficava mais perto de Domélia do que de Agudos. A professora ia de Agudos e ficava lá a semana toda. Morava com meus pais. Chamava-se Célia e era irmã da Nilza, também professora, que foi casada com o nosso saudoso José Alfredo. A amizade perdura até hoje. Quando chegou a hora de fazer o quarto ano, o Sidney precisou ser matriculado na cidade, pois as escolas isoladas não ofereciam o quarto ano. Foi então que, matriculado na E.E.P.G. Dr. Paulo Zillo, cursou o quarto ano comigo. Lembro que sua adaptação foi difícil, mas ele venceu. Não podia paparicá-lo, pois a classe era muito forte, então, tinha que exigir o máximo dele. Não sei que marcas deixei como sua professora, mas ele deve ter sofrido bastante. Quando a minha filha mais velha chegou à idade escolar, eu não estava no Paulo Zillo, eu já estava no Malatrazi. Ela fez o pré com a professora mais famosa de Lençóis na época, a Adahir Grassi Nelli, no Virgílio Capoani. Porém, da primeira à oitava série estudou no Esperança de Oliveira, que fica a uma quadra de casa. Quando o segundo filho entrou na escola, eu também estava no Malatrazi. No primeiro ano, sua turma sofreu muito com a aposentadoria da professora que ocorreu no meio do ano. Infelizmente, as substitutas não conseguiram levar a alfabetização à bom termo. Foi a professora Denise Orsi, uma das melhores alfabetizadoras que já tivemos, que recuperou a classe no ano seguinte. Quando o Evandro chegou no quarto ano, tomei a decisão de transferi-lo para o Malatrazi para fazer o quarto ano comigo. Não sei se fiz isso por ele ou por mim. Valeu a pena. Isto aconteceu em 1.985. Neste ano fiz inscrição para remoção e consegui ir para o Esperança de Oliveira. Aliás, viemos os dois. Antes mesmo de iniciar o novo ano, aconteceu a Primeira Comunhão do Evandro,  que se preparou junto com a turma do Esperança de Oliveira. Fez novas amizades no Malatrazi, mas a catequese frequentou com a turma do Esperança de Oliveira. Teve como professora de quarto ano, a mãe, que tirou dele o máximo que pôde. Como catequista, uma mulher extraordinária, Dona Adélia Segalla Lorenzetti. Há pouco tempo, sua neta Raquel, logo depois da morte de sua avó, veio nos devolver a lembrança da Primeira Comunhão do Evandro, guardada há tantos anos entre seus pertences.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A VOLTA DO PROFESSOR PARTICULAR

Em outras páginas publicadas, tive a oportunidade de citar duas professoras que se tornaram famosas pelo trabalho em sala de aula e fora dela, dando aulas particulares. Trata-se da Bernadete Carrit e da Denise Orsi. Bernadete, ensinando Matemática e, Denise, Português. Nas décadas de 60, 70, 80, o aluno não era aprovado para a série seguinte se não tivesse dominado todo o conteúdo da que estava cursando. O jeito eram as aulas particulares, dadas em casa e, claro, com um custo extra para os pais que não queriam ver seus filhos reprovados. Quem precisou desse reforço e teve como pagar, saiu lucrando. E assim, por muito tempo, o reforço dado pelo professor particular garantiu a qualidade do ensino. Os anos foram passando, as reformas de ensino foram acontecendo, a escola foi se abrindo para todos, colocou-se a quantidade em primeiro lugar e a qualidade foi caindo. Isto sem falar na desvalorização do profissional da educação. Quer ganhar mais? Trabalhe dobrado. Foi quando surgiu a opção da jornada integral. Os professores que estavam para se aposentar não tinham mais tempo para dobrar a jornada, a não ser que houvesse vagas e estivessem dispostos a trabalhar por mais cinco anos. Era o tempo mínimo na nova jornada para garantir uma aposentadoria com salário integral. Nessa época, eu ainda estava trabalhando no Malatrazi. Fiquei muito revoltada com a proposta indecente do nosso governador Paulo Maluf. Aliás, duas pérolas atribuídas a ele: “O professor não ganha mal, ele é mal casado” e “Quer ganhar mais, trabalhe dobrado”. Relutei muito, mas quando faltavam cinco anos para me aposentar, ampliei a minha jornada. Nunca nós professores fomos ouvidos com relação a assuntos importantes. As decisões eram tomadas em gabinete, sempre de cima para baixo. Só depois vinham as avaliações e os estudos das medidas tomadas. E assim foi e continua sendo a Educação no Brasil. Hoje, Diretores de Escola com  seus Coordenadores Pedagógicos procuram, nas Horas de Trabalho Pedagógico, resgatar a qualidade do ensino, um trabalho gigantesco que raramente tem a colaboração da família. A jornada de trabalho já mudou tanto, que não sei mais o que prevalece. É urgente pensar na  formação das novas gerações de professores. Os professores particulares estão de volta. O Ensino Fundamental com a duração de nove anos, alfabetizando a criança com seis anos, é mais uma aberração. Dá para contar nos dedos quantas crianças conseguem isso, sem falar no desespero dos pais, que, desconhecendo a teoria do construtivismo, bombardeiam os professores de seus filhos fazendo comparações com os coleguinhas de classe e gerando problemas ainda maiores para a criança. Respeitar o tempo que cada criança leva para ser alfabetizada é primordial. Por que, então, se pretende antecipar em um ano o processo? Conclusão, as velhas cartilhas voltam a fazer sucesso por trás do pano.  Por que não admitir que elas tiveram o seu valor e têm ainda? Deixar a criança construir o seu próprio conhecimento é válido, mas no tempo certo. Estressá-las, querendo delas mais do que podem dar, é contribuir para tirar delas o gosto pelo estudo. Encerro esta página dizendo que ainda acredito no Professor. Há excelentes escolas, com excelentes educadores. Está em suas mãos reverter esta situação. Quero acreditar nisto, pelos meus netos, por essa geração à qual estamos deixando como herança, não um país gigante, mas um país que tem que se tornar um gigante.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

OS ÚLTIMOS LUGARES

Parodiando a expressão usada pelo Delegado de Ensino, em 1.977, Senhor Sílvio da Cunha, para justificar as sete professoras que seriam remanejadas para a recém-criada E.E.P.G. do Parque Residencial São José, é que escolhi o título da página que estou iniciando. Zuleika, Ângela Trecenti, Ângela Lorenzetti, Zizi (do Seu Fortes), Ozires Cordeiro eram as ocupantes dos cinco últimos lugares na classificação por tempo de exercício. As outras duas, remanejadas do Esperança de Oliveira por ocuparem os dois últimos lugares no quesito tempo de exercício, foram a Geny Bernardes Boso e Neide Cardoso Franco. As sete professoras se sentiram arrancadas de um lugar que era seu de direito, conquistado à duras penas. Naquela época, professor para chegar a assumir uma cadeira na cidade, já havia passado por escolas na zona rural e em outros municípios. Eu me lembro de um fato que era rotina na vida da Geny, quando lecionou em Alfredo Guedes. Ela morava no sítio do tio Bepe. Casada com o Sérgio, um dos filhos do tio Bepe, ela, diariamente, pegava o trem para ir lecionar. Tia Maria, cuidava dos netos enquanto a Geny trabalhava. Num determinado horário, quando o trem apitava na curva, tia Maria corria com as crianças para ver o trem passar e acenar para a mamãe. Eu presenciei isto muitas vezes. O trajeto que o trem fazia e ainda faz, era muito próximo das casas da fazenda. Falar da Geny, me trouxe à memória lembranças muito gostosas das festas que lá aconteciam e do engenho. Os tachos de melado que depois se transformavam em rapadura, sem falar da garapa colhida na hora na boca do engenho, ou então, embrenhar-se no mato atrás dos ninhos das galinhas para catar seus ovos, que delícia. Não sei precisar quantos filhos tiveram, mas era uma família feliz, acolhedora. Tio Bepe era apaixonado pelo Mário Zan e sua sanfona. Tinha em sua casa uma sala enorme e uma vitrola. Ali as rancheiras tocavam sem parar. Tio Bepe tocava sanfona e, seus filhos, Vicente e Hugo são exímios sanfoneiros. Geny e Neide se juntaram a nós no Malatrazi e, assim que puderam, entraram em remoção e voltaram para o Esperança de Oliveira. Além de dedicadas professoras, eram muito elegantes. Donas de uma prática de ensino fruto de experiência acumulada ao longo dos anos, não admitiam errar em nada. Era um cuidado até exagerado com a escrituração escolar. De tempos em tempos éramos bombardeadas com reformas que exigiam rápida adaptação e isto fortalecia nossa união. Foi muito bom recordar tudo isto e ter o privilégio de trabalhar ao lado delas.