sábado, 8 de novembro de 2014

PARENTES/AVÓS/VIZINHOS/EMPREGADOS

Por mais cultos e amorosos, os pais muito lucram quando abrem as portas do seu lar aos parentes. Novos temas de conversa, maneiras diversas de encarar a vida, as comparações, os novos afetos. Simpatizando com os parentes, os pais ensinam o espírito de grupo e a tolerância.
Os avós podem ser uma ajuda preciosa, quando sabiamente complementam, ajudam e não desejam substituir, nem competir com os pais. Que sabedoria quando se constituem em conselheiros discretos, diante da inexperiência do casal, nas doenças, nos fracassos, nos negócios, nas dificuldades conjugais.
Os empregados também desempenham papel importante na tranquilidade do lar e na educação das crianças. Merecem, pois, um trato cordial. Os patrões devem cuidar de sua saúde e bem estar, valorizar as suas qualidades, promover seu nível cultural.
Os vizinhos trazem igualmente ao lar, aspectos novos de humanidade. Contam novidades, à sua moda, os acontecimentos, revelam conhecimentos úteis. O comentário criterioso de suas visitas é ocasião valiosa para os pais de iniciar os filhos na arte do discernimento das pessoas e das coisas. Os pais seguros, não temem competições à sua influência, embora vigilantes, integram seus familiares e amigos à vida da família, aceitam seus convites, retribuem amabilidades. Acompanham bem de perto as influências externas, aprovando umas e corrigindo outras.
É com a maior confiança que soltam as pombas dos pombais, mas, ao anoitecer, quando elas voltam, lá estão eles em plantão de amor, para estreitar os laços afrouxados e reforçar a benfazeja intimidade familiar. Uma forte corrente de calor humano, supera as dissensões e mantém a boa disposição dos pequenos para com os grandes, sem o que, não haverá educação.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

REFEIÇÕES: FONTE DE CONGRAÇAMENTO E UNIÃO

Ainda do caderninho de D. Maria...
O regresso do pai ao lar é o ponto alto da intimidade familiar. Cumpre-lhe preparar a entrada em casa, dispondo-se à maior cordialidade, à expansões de carinho e alegria. Na hora da refeição, deve-se cultivar a alegria de estar junto.
Todo casal deve cuidar mais das refeições. Seja bela a mesa, bem apresentados os pratos e gostosas as iguarias. Quem saboreia pratos gostosos, abre-se à boa vontade. Os bares dos colégios têm alta função socializadora. Os amigos que não comem juntos, não funcionam totalmente. A mãe que adota em sua mesa os amigos de seus filhos, está operando treinamento para a vida social. Todos à mesa, portanto, para as refeições.
A mesa do pobre, em geral, é mais acolhedora que a do rico. Quantas vezes a preocupação excessiva das boas maneiras paralisa a conversa. O vinho entornado, a mancha na toalha, que drama nos salões aristocráticos! Um velho comissário de polícia, diante dos crimes cometidos por jovens, costumava dizer: ”Para mim, tudo isso acontece porque já não existe mais a sala de jantar.”
Sejam alegres as nossas refeições, para que se convertam em fontes de congraçamento, de união.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

COMO FAZER DO LAR UMA LAREIRA

Vejam que interessantes essas anotações do caderninho de D. Maria.
A casa deve ter um lugar marcado de conversa e oração. A cadeira de balanço favorece o aconchego. Os gestos e palavras costumeiras de saudar, de despedir, de consagrar pela oração, o alimento, impregnam a alma de afeto e fé.
A oração em família é fator de segurança sem igual.
O fervor dos pais é contagioso, pois toda criança é mística. A confiança na Providência Divina cura dos medos, que tanto amarguram a infância.
A casa paterna vale pelo espírito de família, animado pelo calor humano.
A mãe e o pai sempre atentos aos problemas dos filhos.
O casal unido, de braços abertos às manifestações de carinho, rindo e cantando, ouvindo e contando histórias, vibrando com os sucessos obtidos, reconhecendo o esforço. Todos esses elementos fazem do lar uma lareira.
A comunicação da alma é fácil quando a criança sente que tem seu lugar marcado, que é insubstituível. O regresso ao lar, sempre uma festa. Os pais hão de interromper o que estão fazendo, para sorrir e acolher os filhos. O acolhimento atencioso é o sinal sensível do amor. O reencontro dos membros da família dentro de um estado de bom humor, com beijos, abraços e sorrisos, constitui a suprema técnica da organização do espírito de família. A constância do amor revelada dia após dia, nessas expansões, infunde segurança e propicia higiene mental. Sejam adiadas para ocasiões mais oportunas, censuras e queixas, castigos e conselhos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A HOSPITALIDADE EM UM LAR VERDADEIRO

Todos nós conservamos indeléveis as lembranças da nossa primeira morada e das nossas primeiras vivências. Lembranças “equilibradoras” quando evocam clima de união incondicional e quadros de deliciosa intimidade. A intimidade do lar não depende de conforto, mas sim da certeza de ser amado, é filha do carinho. (Intimidade se traduz nas conversas amigáveis entre os membros da família, é o filho contando o que sente, os seus problemas, suas dúvidas).
A intimidade não teme ser hospitaleira. As famílias fechadas asfixiam-se. Falta-lhes assunto vitalizador. Só os generosos se desapropriam de si para abrigar os outros em seu afeto.
“Minha casa é a casa de todos, dizia um chefe de família. Sempre há lugar para mais um”. Os pais que se dedicam apenas aos seus filhos cultivam um egoísmo sutil.
Um sujeito mal humorado dizia: ”Eu me considero um pai exemplar, vivo exclusivamente para minha mulher e meus filhos, mas não consigo gratidão”. Minha casa vive vazia. Até minha mulher eu preciso recolher, pois tem sempre uma amiga para visitar. Mal suspeitava o coitado, que o hóspede à mesa é um enviado para dinamizar as virtudes domésticas.
O convidado valoriza a casa paterna, evidencia suas qualidades, exige da família comportamentos requintados, esmerando-se cada um em delicadezas recíprocas, atenções e generosidades. O hóspede é artesão de alegria e mensageiro de fraternidade. Não podemos nos isolar, temos necessidade de ir à festas, de fazer visitas.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

MARIA CONCEIÇÃO VIEGAS GARBINO - LEITORA POR EXCELÊNCIA

Dona Maria era uma pessoa muito culta. Gostava muito de ler e de presentear com livros. Remexendo entre algumas coisas guardadas pela esposa do Elzinho, encontrei um caderno de desenho, escrito com letra cursiva, que parece ser um resumo dos principais tópicos de um livro. O mais interessante é que reconheci, naquelas anotações, muitos ensinamentos passados a nós professoras, que contribuíram para a nossa formação de educadoras. Por isso resolvi dividir com outros educadores essas lições de sabedoria. Deixo a critério de cada leitor o discernimento: “Ainda valem para os tempos atuais?”
As anotações começam assim:

Nada mais fácil que ter um filho.

Nada mais imperativo que fazer dele um homem.

Nada mais difícil que fazer dele um homem realizado em todos os planos.

A delinquência infantil traduz uma carência trágica de influência moral dos pais sobre os filhos.

A família, embora em crise, detém nas mãos a maior soma de influência na formação da personalidade.

Recente pesquisa americana revelou os seguintes dados: a mãe exerce cerca de 60% das influências que vão determinar o comportamento adulto, o pai cerca de 15%, à escola cabem apenas 10% e os restantes 15% distribuem-se pela TV, rádio, companheiros, cinema, leituras, etc.

Quando a família constitui um mundo ordenado e dirigido conscientemente para todos os planos, para os valores reais, sua própria vida diária, espontânea e harmônica, é aprendizagem integrativa que vai determinar na idade adulta, atuações ponderadas e altruístas. Nesse sentido, a família é o berço da civilização de um povo. A grandeza de um povo depende da solidez, da organização e da moral familiar.

Educar é infundir segurança, através de uma ação amorosa e firme, contínua e íntima. E segurança só se infunde através do amor e a certeza de que somos amados.

O clima instável, flutuando entre a ira e a meiguice, o esbanjamento e a avareza, a generosidade e a indiferença, afasta pequenos e grandes.

O educador há de ser soberanamente igual, há de possuir um humor sereno. Quando não possuímos o bom humor natural e espontâneo, podemos criar uma alegria voluntária, premeditada, persistente. E o mundo nem perceberá que a nossa alegria não era um dom hereditário. A serenidade engendra a confiança mútua, capaz de equilibrar a balança dos afetos familiares.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A MENININHA MARIA CONCEIÇÃO E O APARELHO RESPIRATÓRIO

É inacreditável o volume de conhecimentos que tinha que ser assimilado por uma criança de apenas seis ou sete anos. Desta vez, me deparo com um “exercício” de Ciências. Trata-se de responder cinco questões sobre o Aparelho Respiratório. Mas o mais incrível era ter que desenhar o mesmo. É uma das poucas tarefas que aparece corrigida pela professora.
A professora pergunta:
1º Dizer o que é a laringe e onde fica.
Resposta: A laringe é uma espécie de um funil e fica no pescoço.
2º Dizer quantos são os pulmões, a sua cor e de que é feito.
Resposta: Os pulmões são dois, as cores são rosada cinzenta e de listas escuras, é feito com furinhos que nem uma esponja.
3º Como se chama a membrana que envolve os pulmões e quantas folhas tem?
Resposta: A membrana que envolve os pulmões se chama pleura e tem duas folhas.
4º Quantos são os movimentos da respiração e quais são eles?
Resposta: Os movimentos da respiração são inspiração e expiração; quando a gente inspira o ar abre a caixa toráxica e entra no pulmão e quando a gente expira, fecha os pulmões e a caixa toráxica e o ar sai.
5º O que acontece com o ar e o sangue quando chegam aos pulmões?
Resposta: O gás carbônico sai para fora e o oxigênio fica dentro.
Procurei ser fiel ao transcrever este exercício com as devidas correções da professora, principalmente, o número quatro. Percebe-se que a criança tinha que elaborar a resposta e nem sempre conseguia fazer com clareza. Quase não há erro de ortografia. É interessante notar que desde menininha, Maria Conceição tinha uma caligrafia perfeita. Nas letras maiúsculas, no início das frases ou nomes próprios, elas aparecem rebuscadas, como se fossem bordadas.
Observem o desenho do Aparelho Respiratório (fossas nasais, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos, pulmão). Desenhou apenas um dos pulmões, para mostrar bem os bronquíolos.


Desenho, cópia, questionários, chamadas orais, eram recursos que davam resultado na fixação de conhecimentos. D. Maria tinha uma linha parecida na sua atuação como Professora e também como Diretora. Tudo que remetia à sua infância era muito valorizado. Gostava de nos ver introduzindo novidades quanto aos recursos didáticos. Apoiava, motivava. Era uma verdadeira líder. Tinha muito orgulho de sua escola e de seus professores. 

domingo, 2 de novembro de 2014

A MENININHA MARIA CONCEIÇÃO E AS FÉRIAS

Atualmente, os professores não costumam passar tarefas para as férias. Creio que caiu de moda sufocar as crianças com deveres escolares nesse período. As crianças não veem a hora de ficar sem fazer nada. Os pais é que ficam loucos com tanto tempo ocioso e ficam desejando que as aulas voltem logo. Mas o que seria melhor, ocupá-las, reforçando tudo que aprenderam no semestre, ou deixá-las na frente do computador, usando indevidamente a Internet? São poucas as crianças que podem desfrutar da presença dos pais durante as férias. A maioria dos casais trabalha fora. Tempos modernos.
Mas como era no tempo da menininha Maria Conceição? Era o inverso. A mãe era presente e o dever de casa era obrigação. Acredito que sobrava algum tempo para brincar, mas a obrigação vinha em primeiro lugar. As tarefas eram imensas. Vinham repletas de recomendações. Vejam a que achei no Caderninho de Treino da menininha Maria Conceição.
TAREFAS PARA AS FÉRIAS
1º Treinar “todas” as listas coletivas, 25 palavras por dia. (O treino consistia em copiar, diariamente, 25 palavras, e em seguida, separar as sílabas).
2º Treinar todas as listas de Ciências, uma a cada dia.
3º Fazer os Diários todos os dias e passá-los a limpo.
4º 8675,2 : 2,34 e aumentar uma unidade no divisor cada dia. Tirar as duas provas: real e dos nove.
Em quase toda tarefa lê-se o pedido: trazer Diários Bem Comentados. Por mais que eu me esforce, não consigo descobrir que tipo de atividade era essa. Uma vez ou outra, aparecia para passar a limpo os diários. Não sei o conteúdo desse Diário.
Lembro-me de uma professora que também sobrecarregava seus alunos com muita tarefa nas férias. Era a D. Antonieta Grassi Malatrasi. Não fui sua aluna. A sua fama se espalhava. Era muito enérgica. Marcou muito sua época. Acredito que era do tipo da D. Iracema Amarante, a professora da menininha Maria Conceição Viegas. Grandes Mestras!